Rede pública de saúde do DF disponibiliza teste molecular para prevenção do câncer de colo do útero

A campanha Outubro Rosa destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e do câncer de colo do útero. O câncer de colo de útero é prevenível na quase totalidade dos casos, uma vez que está relacionado à redução do risco de contágio pelo Papilomavírus Humano (HPV). A realização de exames periódicos em pessoas assintomáticas é um dos pilares da estratégia de enfrentamento, visando identificar o tumor em estágio inicial ou detectar lesões pré-cancerígenas. Recentemente, um avanço na forma de rastreamento do câncer de colo de útero foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do teste molecular para detecção de HPV oncogênico (DNA-HPV). O teste molecular de DNA-HPV é capaz de detectar 14 genótipos do HPV associados ao alto risco oncogênico.

Na rede pública de saúde do Distrito Federal, o exame começou a ser oferecido de maneira progressiva em março deste ano. Atualmente, todas as 59 unidades básicas de saúde (UBSs) das regiões de saúde Oeste e Sudoeste disponibilizam essa novidade. Até setembro, mais de 9,2 mil procedimentos haviam sido realizados, principalmente em mulheres entre 25 e 64 anos, faixa etária padrão para esse rastreamento.

Maior proteção

O teste molecular de DNA-HPV permite a detecção antecipada de possíveis manifestações do tumor, contribuindo para a ampliação do tempo de tratamento e, consequentemente, para uma maior expectativa de cura.

“O exame Papanicolau identifica a célula já em modificação, ou seja, quando o câncer já está instalado na célula do colo do útero, enquanto o DNA-HPV é capaz de identificar o vírus causador da doença antes que ela esteja manifestada”, explica a médica de família e comunidade da UBS 11 de Samambaia, Aline Dias.

Aos poucos, o exame citopatológico Papanicolau passará a ser realizado apenas para confirmação de casos em que o teste DNA-HPV resultar positivo.

“A coleta permanece sendo feita da mesma forma — é igual em ambos os exames. O que muda nessa nova tecnologia é a análise no laboratório”, destaca a médica.

Maria José Gomes, 59 anos, superou o medo do exame a partir do cuidado oferecido pelos profissionais da equipe de saúde da família. “Tinha muitos anos que eu não fazia exame de prevenção. O povo faz muito medo na gente; e, com o passar do tempo, a idade foi avançando e eu fiquei com vergonha”, relata a aposentada. Durante um evento em alusão ao Outubro Rosa, oferecido à população local juntamente com a oferta de testes rápidos e imunizantes, a moradora de Samambaia participou de uma palestra e realizou o exame preventivo.

Prevenção

A transmissão da infecção pelo HPV ocorre por via sexual, por meio de lesões microscópicas na mucosa ou na pele da região anogenital. O uso de preservativos durante a relação sexual, portanto, oferece apenas proteção parcial contra o contágio pelo HPV. A vacinação é a medida mais eficaz de prevenção. O imunizante é distribuído gratuitamente pelo SUS e, no DF, está disponível, de forma ampliada, até 31 de dezembro, para adolescentes de 15 a 19 anos que nunca receberam a vacina contra o HPV. Normalmente destinada a meninos e meninas de 9 a 14 anos, a dose está disponível em mais de 100 salas de vacinação da rede pública do DF. Atualmente, a taxa de cobertura da vacina no DF é de 85% e 70,8% da população feminina e masculina, respectivamente. A meta é alcançar 90% dos jovens ainda não vacinados.

Fonte: Agência Brasília

Redação
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