No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, levantamento do IBGE mostra diferenças no acesso ao trabalho, educação, renda e acessibilidade
O Brasil chega ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado neste 21 de setembro, com 14,4 milhões de pessoas com deficiência e desafios que ainda vão do acesso ao emprego às condições de acessibilidade nas cidades.
Dados divulgados pelo IBGE mostram que 7,3% da população brasileira com 2 anos ou mais tinha alguma deficiência em 2022. Eram 8,3 milhões de mulheres e 6,1 milhões de homens.
Entre as dificuldades investigadas, 7,9 milhões de pessoas apresentavam dificuldade para enxergar, 5,1 milhões para caminhar ou subir degraus, 2,7 milhões para pegar objetos pequenos, 2,7 milhões tinham dificuldades associadas a limitações nas funções mentais e 2,6 milhões apresentavam dificuldade para ouvir.
Quase 4 milhões tinham duas ou mais dessas dificuldades.
Diferença aparece no mercado de trabalho
Um dos principais desafios está no emprego.
Em 2022, o nível de ocupação das pessoas com deficiência com idade para trabalhar era de 29%. Entre as pessoas sem deficiência, chegava a 55,8%.
A diferença também aparece na renda. Trabalhadores com deficiência recebiam, em média, R$ 2.053 mensais, enquanto aqueles sem deficiência tinham rendimento médio de R$ 2.890.
Entre as mulheres com deficiência, o nível de ocupação era ainda menor: 24,4%. Entre os homens com deficiência, chegava a 35,4%.
Educação ainda apresenta diferenças
Os dados também mostram desigualdades entre os mais jovens.
Entre pessoas de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo era de 12,2% entre aquelas com deficiência. Entre os jovens sem deficiência, o índice era de 1%.
A estrutura das escolas também continua sendo um desafio. Em 2025, 78,5% das escolas de educação básica do país tinham pelo menos um recurso de acessibilidade.
Pouco mais da metade, 57%, possuía banheiro acessível. Apenas 30% tinham sala de recursos multifuncionais para atendimento educacional especializado e 26,2% contavam com profissional de apoio para estudantes com deficiência.
No ensino superior, houve avanço no número de matrículas. O total de estudantes com deficiência na graduação passou de 33,4 mil em 2014 para 95,6 mil em 2024.
Só 12,9% tinham rampas no entorno de casa
A acessibilidade urbana é outro ponto destacado pelo levantamento.
Em 2022, 83,4% das pessoas com deficiência que viviam em áreas urbanas tinham calçada ou passeio no entorno de suas residências. Apesar disso, 67,4% moravam em locais onde havia obstáculos nas calçadas.
Apenas 12,9% contavam com rampas para cadeirantes no entorno.
Na Região Centro-Oeste, esse percentual era maior que a média nacional e chegava a 21,5%.
O deslocamento diário também exige mais tempo. Pessoas com deficiência levavam, em média, 37 minutos no trajeto entre casa e trabalho, contra 33 minutos entre aquelas sem deficiência.
Participação política também é pequena
A desigualdade chega aos espaços de poder.
Dados reunidos pelo IBGE mostram que o número de pessoas com deficiência eleitas para as câmaras municipais caiu de 522 vereadores em 2020 para 391 em 2024.
Entre prefeitos, foram 56 eleitos em 2020 e 24 em 2024.
Nos cargos de gestão, o Censo identificou 2,3 milhões de postos gerenciais no país em 2022. Apenas 2,5% eram ocupados por pessoas com deficiência.
21 de setembro
O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído oficialmente pela Lei nº 11.133, de 2005, embora a mobilização em torno da data exista desde a década de 1980.
A data busca chamar atenção para os direitos das pessoas com deficiência e para a necessidade de ampliar a inclusão e a acessibilidade.
Entre os principais marcos legais do país está a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, que assegura direitos relacionados à educação, saúde, trabalho, acessibilidade, transporte e participação social.
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