A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) apresentou, nesta quinta-feira (27), um Plano de Emergências em Saúde Pública para preparar os municípios para possíveis impactos relacionados aos cenários climáticos previstos para o período de El Niño 2026-2027.
Entre as medidas anunciadas estão o reforço dos estoques de soluções hidratantes, como soro, e de vacinas, além de orientações para que os municípios organizem seus próprios planos de emergência e contingência.
A preocupação envolve possíveis ondas de calor, temperaturas acima da média, baixa umidade, queimadas e incêndios florestais, além dos reflexos dessas condições sobre doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya.
Goiás quer evitar repetição do cenário de 2024
Segundo o secretário estadual de Saúde, Rasível dos Santos, uma das prioridades é antecipar medidas para reduzir os impactos sobre a população e evitar situações como as registradas em 2024, quando Goiás enfrentou elevado número de casos de arboviroses.
“A contingência para a questão climatológica, para a questão meteorológica, para a questão hidrológica, para a questão das arboviroses, já tem que ser elaborada”, afirmou o secretário.
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A SES encaminhou aos municípios a Nota Informativa nº 1/2026 – SES/SUVISA/SUVEPI/GESP/V-21845, com orientações relacionadas ao período considerado crítico.
Municípios devem se preparar para aumento de casos
Entre as medidas recomendadas está a elaboração de planos municipais considerando os riscos específicos de cada região.
Na área da saúde, isso pode significar reforçar estoques de insumos para hidratação, medicamentos, vacinas e outros produtos, além de planejar a manutenção do funcionamento das unidades de saúde diante de eventual aumento da demanda.
Os municípios também foram orientados a avaliar possíveis problemas de abastecimento de água e riscos de interrupções no fornecimento de energia.
Uma das preocupações é justamente evitar a perda de vacinas por oscilações ou interrupções de energia, além de garantir condições para mobilização de imunobiológicos e funcionamento das salas de vacinação.
Dengue e chikungunya estão entre as preocupações
A prevenção às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti ocupa espaço importante no planejamento.
A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, chamou atenção para o aumento de casos de chikungunya em Goiânia mesmo durante o período seco.
A SES também reforçou a orientação para que moradores façam verificações periódicas em casas e quintais para eliminar recipientes que possam acumular água e servir como criadouros do mosquito.
Calor e baixa umidade também ameaçam a saúde
O plano não trata apenas das arboviroses. Ondas de calor e temperaturas elevadas podem aumentar os casos de estresse térmico e desidratação, além de agravar doenças cardiovasculares, renais, respiratórias e outras condições crônicas.
A recomendação é reduzir ou reprogramar atividades físicas e trabalhos ao ar livre nos horários mais quentes, especialmente entre 10h e 16h, manter hidratação frequente e redobrar os cuidados com crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes.
A baixa umidade também pode provocar ressecamento das vias respiratórias e dos olhos e contribuir para crises respiratórias e desidratação.
Entre as recomendações estão beber água regularmente, utilizar soro fisiológico para higiene nasal e umidificar os ambientes.
Fumaça das queimadas entra no alerta
Outro risco considerado pela Secretaria de Saúde é a fumaça provocada por queimadas e incêndios florestais.
A exposição pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, falta de ar e dores de cabeça, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
Em situações de fumaça intensa, a orientação é evitar a exposição e, quando ela for inevitável, utilizar máscaras PFF2 ou N95.
Em casos de emergência, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193, a Defesa Civil pelo 199 e o Samu pelo 192.
