Representantes das polícias Civil e Militar de diferentes regiões de Goiás se reuniram, nesta quinta-feira (20), para discutir formas de ampliar o uso da inteligência artificial no enfrentamento à violência contra a mulher. A proposta é desenvolver ferramentas capazes de apoiar o trabalho policial desde o atendimento às vítimas até o acompanhamento de medidas protetivas.
O encontro foi promovido pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), com apoio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e participação da equipe técnica da startup Pax.
A iniciativa pretende identificar necessidades das forças de segurança que possam ser atendidas com ferramentas tecnológicas e integradas à rotina policial.
IA para identificar riscos e cruzar informações
Uma das possibilidades discutidas é utilizar tecnologia e integração de dados para identificar padrões relacionados a ocorrências de violência doméstica e outros crimes contra mulheres.
Segundo a titular da Delegacia Estadual de Atendimento à Mulher (Deaem), Ana Elisa Gomes Martins, o objetivo é utilizar essas informações também de forma preventiva.
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“O objetivo não é apenas reprimir, mas prever ocorrências que poderiam ser mais graves. Quando o sistema cruza dados de crimes praticados com o mesmo modus operandi, ele nos devolve informações relevantes que aceleram a identificação de autores, inclusive em crimes sexuais onde a autoria é desconhecida”, afirmou.
Para a delegada, a integração entre as forças de segurança e o uso da tecnologia pode acelerar investigações e auxiliar na identificação de suspeitos.
Tecnologia também pode auxiliar medidas protetivas
As discussões incluem ainda o uso de recursos tecnológicos no atendimento direto às vítimas e na fiscalização de medidas protetivas.
A cabo Lilianne Horovits, integrante do 4º Batalhão Maria da Penha de Águas Lindas de Goiás, destacou a importância de incorporar novas ferramentas à atuação policial.
“O desenvolvimento tecnológico é um grande parceiro. Ter essa inovação nos auxiliando a prestar um serviço de segurança e prevenção é essencial, pois precisamos de todos os recursos possíveis ao nosso lado”, afirmou.
A participação de uma representante de Águas Lindas de Goiás, município do Entorno do Distrito Federal, também aproxima a iniciativa da realidade da Região Metropolitana do Entorno, onde o enfrentamento à violência doméstica exige atuação articulada das forças de segurança.
Cerco digital já auxiliou prisão em Aparecida de Goiânia
O Governo de Goiás cita como exemplo da aplicação de tecnologia na segurança pública um caso registrado em abril deste ano, em Aparecida de Goiânia.
Segundo o governo estadual, o rastreamento em tempo real do veículo de um suspeito de feminicídio, por meio de uma plataforma de monitoramento, auxiliou as forças de segurança na localização do homem. Ele foi interceptado por equipes da Polícia Militar menos de 24 horas após o crime.
É importante diferenciar, porém, o uso já existente de ferramentas de monitoramento e integração de dados das novas aplicações específicas de inteligência artificial que estão sendo discutidas para o enfrentamento à violência contra a mulher.
Próxima etapa será dentro das unidades policiais
Depois do levantamento das demandas, a previsão é que sejam realizadas visitas às unidades policiais para identificar como as soluções poderão ser transformadas em ferramentas utilizadas no cotidiano das equipes.
De acordo com o superintendente de Ações e Operações Integradas da SSP-GO, Geyson Alves Borba, a intenção é integrar as soluções às diferentes forças de segurança.
“A tecnologia já é uma realidade e deve ser empregada de forma estratégica. Nosso foco é garantir que os alinhamentos de hoje se tornem uma prática efetiva e integrada em todas as nossas forças policiais”, declarou.
O gerente de Análises Criminais da Polícia Civil, Gustavo Araújo, também afirmou que a proposta é ampliar a capacidade preventiva das forças de segurança no enfrentamento aos crimes contra mulheres.
