Uma integração entre forças de segurança, órgãos públicos e sociedade civil visa monitorar as ruas do Distrito Federal, contribuindo para manter a unidade da Federação como a mais segura do Brasil. Esse é o objetivo da plataforma DF 360, que foi lançada há três meses e já apresenta resultados significativos. Durante esse período, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) incorporou à plataforma 320 câmeras de órgãos públicos e 321 de entidades privadas, somando-se às 1.402 câmeras da própria pasta. “Hoje, o sistema está com 2.403 [câmeras], mas a meta é 10 mil e nós vamos passar, porque estamos negociando com empresas que estão aderindo e com órgãos públicos. Agora, por exemplo, vão entrar de 3 mil a 5 mil câmeras da Saúde, de todas as UPAs [unidades de pronto atendimento], vão entrar câmeras da Educação que são apontadas para fora das escolas, Secretaria de Mobilidade de todos os terminais… A nossa expectativa é ficar entre 10 mil e 20 mil câmeras e aí, efetivamente, a gente terá um cercamento virtual de Brasília”, explica o secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury.
Desenvolvida pela própria SSP, a plataforma DF 360 opera da seguinte forma: até 30 segundos após o registro de ocorrências no Centro de Operações da Polícia Militar do DF (Copom) — que concentra as chamadas para os números de emergência 190, 192 e 193, além dos registros das forças de segurança —, as ocorrências aparecem em um mapa. “Então, a gente clica [na ocorrência] e a plataforma faz uma triangulação. Ela busca no sistema as câmeras mais próximas em um raio de 1 km e ali a gente consegue ‘cercar’ a ocorrência”, detalha Patury.
Além da ampliação do número de câmeras, os próximos passos do programa incluem a criação de prompts para identificação de atos considerados suspeitos por meio de inteligência artificial (IA). “Por exemplo, uma pessoa puxou uma faca, um homem batendo em uma mulher, uma confusão generalizada, uma inversão de sentido — nas passagens subterrâneas tem um casal andando, uma pessoa que ia em sentido contrário inverte o sentido e começa a seguir o casal. A partir daí, a plataforma vai dar um alerta e, com esse alerta, você vai poder ter uma atuação preventiva, não só repressiva”, pontua o secretário.
O empresário Agenor Neto, dono da firma de monitoramento Setec, foi um dos que aceitaram compartilhar imagens com a Secretaria de Segurança, com a autorização de seus clientes e apenas de câmeras que filmam ruas ou espaços públicos.
“A gente trabalha com segurança, então, a gente tem que se aliar. Nós temos o mesmo objetivo, que é diminuir a criminalidade, ter uma cidade mais segura. Então, o que pudermos fazer para ajudar, fazer a nossa parte para a sociedade, faremos”,
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conta.
Segundo ele, o DF 360 foi “uma grande sacada” e tem contado com o apoio dos comerciantes que utilizam o serviço da Setec.
“O comerciante está sempre pedindo por mais segurança e vai receber isso de portas abertas. É até meio engraçado eu ligar para eles e falar: ‘Olha, vou te dar uma segurança a mais’. Ele vai perguntar: ‘Quanto?’ E eu vou falar: ‘Nada’. É um benefício, com certeza, para a sociedade e para o comércio.”
Ainda na avaliação do empresário, o compartilhamento contribui para a imagem da empresa:
“A gente consegue vincular a nossa empresa de segurança à Secretaria de Segurança. Isso reforça o nome da empresa, reforça que ela está integrada, que está fazendo parte junto com a secretaria, que está, de alguma forma, ligada a ela.”
Atualmente, Brasília é considerada a capital mais segura do país e o Distrito Federal, a unidade da Federação mais segura, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Dados indicam que, no primeiro trimestre deste ano, o DF registrou uma taxa de 5,58 mortes por 100 mil habitantes, enquanto Santa Catarina aparece logo atrás, com 5,63. Entre as capitais, Brasília alcançou um índice de 5,61, liderando o ranking nacional, seguida por Curitiba (10,05) e Campo Grande (10,39). Para o secretário Alexandre Patury, o DF 360 já contribuiu para essas marcas e será fundamental para mantê-las.
“Ele vai permitir que a gente não perca mais essa posição, que vem sendo construída ao longo dos anos, com a tecnologia e a participação da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Detran [Departamento de Trânsito], Polícia Penal e todos os órgãos do Governo do Distrito Federal”,
elenca.
“E devo dizer também com os Conselhos de Segurança (Consegs), que são imprescindíveis, porque é a participação popular, é a população dizendo onde a gente tem que colocar câmera, onde a gente tem que fazer poda de árvore, onde a gente tem que pedir para melhorar a iluminação. Efetivamente, é o povo que está na localidade que sabe das mazelas que contribuem para o aumento da criminalidade.”
Se você é dono de uma empresa de monitoramento ou possui alguma câmera de vigilância apontada para vias públicas e deseja integrá-la ao DF 360, basta acessar o site da plataforma. Nele, também é possível saber mais sobre a tecnologia.
Fonte: Agência Brasília
