O Governo do Distrito Federal deu um passo importante na política ambiental ao criar duas novas unidades de conservação em Sobradinho e região. Os decretos publicados no Diário Oficial desta terça-feira (7) instituem a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) do Ribeirão Sobradinho e o Refúgio de Vida Silvestre Canela de Ema, formando um novo eixo de proteção ambiental em uma área estratégica do Distrito Federal.
Juntas, as duas unidades somam aproximadamente 825 hectares de áreas protegidas e abrangem territórios de Sobradinho, Sobradinho II e Itapoã, regiões que convivem há décadas com o desafio de equilibrar expansão urbana, preservação ambiental e proteção dos recursos hídricos.
A ARIE do Ribeirão Sobradinho possui cerca de 643,65 hectares e tem como finalidade proteger nascentes, matas de galeria, áreas de recarga hídrica e espécies típicas do Cerrado, além de permitir atividades de educação ambiental, pesquisa científica e lazer de baixo impacto.
Já o Refúgio de Vida Silvestre Canela de Ema ocupa aproximadamente 181 hectares e cria um corredor ecológico ligando importantes áreas naturais da região. O decreto também estabelece uma zona de amortecimento para reduzir impactos da ocupação urbana sobre o ecossistema protegido.
Marca de gestão
Embora os decretos tenham caráter técnico, eles representam uma decisão política relevante.
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Ao ampliar a rede de unidades de conservação em Sobradinho, o governo Celina Leão sinaliza uma estratégia de fortalecer a proteção ambiental em uma área que concentra importantes nascentes do Ribeirão Sobradinho e faz ligação entre diferentes fragmentos do Cerrado.
Além da preservação da biodiversidade, os decretos também buscam proteger áreas de recarga dos aquíferos, conter impactos da expansão urbana e criar condições para o desenvolvimento de atividades de pesquisa, educação ambiental e ecoturismo.
Proteção de espécies do Cerrado
Os dois decretos citam expressamente a proteção de espécies da fauna e da flora ameaçadas ou endêmicas do Cerrado.
Entre elas estão anfíbios raros, mamíferos como a raposinha-do-cerrado (Lycalopex vetulus) e espécies vegetais típicas do bioma, reforçando o objetivo de conservar um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do país.
O que muda na prática
Com a criação das unidades de conservação:
- novas restrições passam a valer para atividades que possam degradar a vegetação nativa;
- empreendimentos deverão observar regras específicas de preservação;
- o Ibram ficará responsável pela elaboração dos planos de manejo, que definirão o uso permitido em cada área;
- será possível desenvolver projetos de pesquisa, educação ambiental e visitação controlada.
Por que importa
A região de Sobradinho concentra algumas das principais áreas de expansão urbana do Distrito Federal. Ao transformar essas áreas em unidades de conservação, o governo estabelece novos instrumentos legais para proteger recursos hídricos e remanescentes do Cerrado, influenciando diretamente o planejamento territorial futuro.
