Projeto que autoriza trabalho aos domingos e feriados sem convenção coletiva volta a avançar na CLDF

Proposta inclui comércio em geral, supermercados, farmácias, bares, restaurantes, salões de beleza e dezenas de outras atividades

Um projeto que autoriza o trabalho aos domingos e feriados em dezenas de atividades, independentemente de convenção coletiva, voltou a avançar na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

O PL 767/2023, dos deputados Pastor Daniel de Castro e Thiago Manzoni, aparece no Diário da Câmara Legislativa (DCL) desta segunda-feira (21) entre as propostas com prazo aberto para apresentação de emendas. Os deputados podem sugerir mudanças no texto até quarta-feira (23).

O projeto inclui comércio em geral, supermercados, farmácias, bares, restaurantes, salões de beleza, hotéis, postos de combustíveis, concessionárias, indústrias e outras atividades.

O que o projeto prevê

O texto autoriza o trabalho aos domingos e feriados “independente de convenção coletiva”.

No comércio, estão supermercados e hipermercados, farmácias, padarias, floriculturas, barbearias e salões de beleza, postos de combustíveis, hotéis, restaurantes, bares, cafés, confeitarias e sorveterias.

A lista também inclui agências de turismo, locadoras de veículos, concessionárias, lavanderias, atacadistas, distribuidores e comércio em feiras e exposições.

O projeto cita ainda duas categorias amplas: “comércio em geral” e “comércio varejista em geral”.

O texto inclui dezenas de atividades industriais, como alimentos e bebidas, carnes e derivados, produtos farmacêuticos, têxteis, produtos químicos, papel e papelão, vidro, cimento, cerâmica, biodiesel e peças para veículos.

Também aparecem atividades de água, energia elétrica e gás, telecomunicações e internet, rádio e televisão, jornais e revistas.

Na área de cultura e educação, a lista inclui teatros, bibliotecas, museus, cinemas, orquestras e outras atividades previstas no anexo. Serviços funerários também aparecem no texto.

Regra federal exige convenção coletiva nos feriados

De acordo com a legislação federal, o trabalho em feriados no comércio em geral depende de autorização em convenção coletiva e do cumprimento da legislação local.

Em julho deste ano, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou a Portaria nº 1.316/2026, que regulamentou a regra e manteve a exigência de negociação coletiva para o comércio em geral.

Algumas atividades têm autorização permanente e são exceções, como padarias, farmácias, floriculturas, salões de beleza, postos de combustíveis, hotéis, restaurantes, bares, feiras livres, lavanderias e serviços funerários.

O PL em tramitação na CLDF, por sua vez, prevê autorização “independente de convenção coletiva” para as atividades de seu anexo, que inclui “comércio em geral” e “comércio varejista em geral”.

A regra federal publicada em julho trata dos feriados. Para os domingos, permanecem as regras já previstas na legislação federal.

O que dizem os autores

Na justificativa, Pastor Daniel de Castro e Thiago Manzoni afirmam que a proposta busca acompanhar mudanças nos hábitos dos consumidores e dar maior flexibilidade às relações de trabalho.

Os autores defendem que o funcionamento aos domingos e feriados pode estimular a economia, gerar oportunidades e aumentar a competitividade das empresas. Também defendem a negociação direta entre empregadores e empregados, respeitadas as garantias trabalhistas.

Por que o projeto voltou a tramitar agora?

O projeto voltou a andar após uma mudança na comissão responsável por analisá-lo.

A proposta estava na Comissão de Desenvolvimento Econômico, mas foi redistribuída para a Comissão de Assuntos Sociais, responsável por temas ligados ao trabalho e às relações trabalhistas.

A mudança foi solicitada pelo deputado Daniel Donizet em maio e efetivada pela Secretaria Legislativa em setembro.

Com a nova tramitação, foi aberto prazo para apresentação de emendas antes da análise do mérito. O período começou em 17 de setembro e termina nesta quarta-feira (23), conforme publicação no DCL desta segunda-feira (21).

O projeto ainda não foi aprovado e ainda não está em votação no plenário. Depois da análise nas comissões, ainda terá de cumprir as demais etapas previstas na CLDF.

Ana Paula Alves
Ana Paula Alves
Ana Paula Alves é jornalista, especialista em jornalismo investigativo e editora-chefe do Repórter Capital, com mais de 20 anos de experiência na cobertura de Brasília e do Distrito Federal. Atua principalmente em segurança pública, política local e informação de utilidade pública, com foco em apuração rigorosa e produção de conteúdo relevante para a população.

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