Levantamento do IGAPE foi realizado integralmente após o confronto da Band; governadora tem 33,4%, contra 23,7% de Arruda, enquanto adversários permanecem abaixo dos dois dígitos
A primeira pesquisa eleitoral realizada integralmente após o debate entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal na Band mantém Celina Leão (PP) na liderança da corrida pelo Palácio do Buriti. A governadora aparece com 33,4% das intenções de voto, enquanto José Roberto Arruda (PSD) registra 23,7%.
A diferença entre os dois chega a 9,7 pontos percentuais no cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados.
Mais do que confirmar Celina na primeira posição, o levantamento oferece uma primeira fotografia eleitoral depois do confronto televisivo que colocou a governadora no centro dos ataques dos adversários.
O debate ocorreu em 9 de agosto. O IGAPE ouviu 2 mil eleitores entre os dias 10 e 15 de agosto — portanto, toda a coleta foi realizada depois do encontro da Band. A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-02390/2026.
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Isso não permite afirmar que o debate tenha provocado os resultados encontrados pelo instituto. Mas permite observar como a disputa se apresenta imediatamente depois do primeiro grande confronto televisionado da campanha.
Celina mantém vantagem mesmo após ser alvo no debate
O dado ganha peso político porque Celina chegou ao debate da Band na condição natural de principal alvo.
Durante o encontro, adversários concentraram críticas na governadora, especialmente em torno da crise envolvendo o BRB. Cappelli, Leandro Grass, Arruda, Paula Belmonte e Kiko Caputo também fizeram questionamentos sobre saúde, transporte e gestão pública.
O primeiro retrato posterior ao debate, entretanto, não mostra uma mudança na hierarquia da corrida.
Celina permanece em primeiro, Arruda continua como principal adversário e existe uma distância significativa entre os dois primeiros colocados e o restante do pelotão.
Depois deles aparecem Leandro Grass (PT), com 9,4%; Paula Belmonte (PSDB), com 4,3%; Ricardo Cappelli (PSB), com 3,5%; e Kiko Caputo (Novo), com 2,8%.
Professor Robson (PSTU) registra 1,4%; Elisson Ferreira (Agir), 1,1%; Samara Mineiro (UP), 0,6%; e Rico Pinheiro (PRTB), 0,4%.
Outros 19,4% não souberam ou não quiseram responder.
Disputa continua concentrada em Celina e Arruda
A fotografia do IGAPE reforça uma característica que vem se desenhando na eleição do Distrito Federal: Celina e Arruda ocupam um patamar eleitoral muito diferente dos demais candidatos.
Somados, os dois alcançam 57,1% das intenções de voto estimuladas.
Grass, terceiro colocado, aparece com 9,4%, mais de 14 pontos atrás de Arruda. Os demais candidatos não chegam individualmente a 5%.
Para Celina, o resultado é especialmente relevante porque chega depois de um debate no qual a governadora precisou responder a ataques de praticamente todos os principais adversários.
Para Arruda, a pesquisa confirma a segunda colocação, mas também mostra o tamanho do desafio: a distância para Celina é de quase dez pontos.
Debate não produziu, até agora, mudança visível na ordem da disputa
Antes de surgirem números posteriores ao confronto, avaliações políticas sobre o debate necessariamente se limitavam a desempenho, estratégia e repercussão.
O próprio relatório Termômetro Pós-Debate GDF 2026, produzido em 10 de agosto e obtido pelo Repórter Capital, fazia essa ressalva. O documento afirmava que ainda não existia pesquisa eleitoral realizada depois do debate e que seria necessário aguardar novos levantamentos para medir eventual efeito sobre o eleitorado.
O IGAPE oferece agora esse primeiro retrato.
A leitura exige, porém, cuidado: não é metodologicamente correto atribuir ao debate sozinho os percentuais encontrados, nem comparar diretamente a variação em relação a levantamentos de outros institutos como se fossem ondas de uma mesma pesquisa.
O que o novo levantamento permite dizer é mais objetivo: depois do debate, Celina continua liderando, Arruda permanece em segundo e nenhum candidato do segundo pelotão rompeu até agora a barreira dos dois dígitos.
Cappelli e Paula seguem disputando espaço no segundo pelotão
A pesquisa também coloca uma lupa sobre os candidatos que tentam transformar exposição de campanha em crescimento eleitoral.
Paula Belmonte aparece com 4,3%, enquanto Ricardo Cappelli registra 3,5%.
Kiko Caputo tem 2,8%.
O resultado é particularmente relevante para Cappelli, que teve participação ativa no debate e adotou uma estratégia de enfrentamento à atual gestão. Apesar da exposição, aparece no novo levantamento ainda distante dos três primeiros colocados.
Isso não significa que tenha perdido votos por causa do debate. Sem pesquisas comparáveis do mesmo instituto antes e depois do confronto, essa conclusão seria precipitada.
Mostra, contudo, que a exposição obtida no debate ainda não aparece acompanhada, nesta fotografia do IGAPE, de uma posição competitiva no primeiro pelotão da eleição.
Espontânea revela eleição ainda pouco cristalizada
Há outro número que merece atenção.
No cenário espontâneo — quando o entrevistador não apresenta os nomes dos candidatos — a quantidade de eleitores sem candidato definido é muito maior.
Celina registra 10,8% e Arruda, 6,6%. Grass aparece com 2,9%; Cappelli, 1,8%; Kiko, 1,7%; e Paula, 1,6%.
Nada menos que 72,9% dos entrevistados não souberam ou não quiseram indicar espontaneamente um candidato.
Esse dado coloca uma importante ressalva sobre qualquer tentativa de tratar a eleição como definida.
Celina começa a campanha oficial na liderança e com vantagem relevante sobre Arruda na estimulada, mas a baixa lembrança espontânea mostra que uma parcela expressiva do eleitorado ainda não consolidou uma escolha sem ser apresentada aos nomes dos candidatos.
Celina lidera, mas campanha está apenas começando
A nova pesquisa chega justamente na largada oficial da campanha.
O quadro inicial é favorável a Celina: ela lidera, tem quase dez pontos de vantagem sobre Arruda e atravessou o primeiro debate sem que o levantamento posterior mostrasse alteração na ordem dos principais concorrentes.
Ao mesmo tempo, os 19,4% de indecisos na estimulada e, principalmente, os 72,9% sem indicação de candidato na espontânea mostram que ainda existe espaço eleitoral em disputa.
A campanha de rua começou no domingo (16). Agora entram em cena propaganda eleitoral, agendas nas regiões administrativas, redes sociais, novos debates e o horário eleitoral.
A fotografia do IGAPE coloca Celina na frente.
A questão das próximas semanas será saber se essa vantagem se consolida — ou se o início efetivo da campanha conseguirá alterar uma disputa que, neste primeiro retrato pós-debate, continua liderada pela governadora.
