Petista aparece isolado atrás dos dois primeiros colocados no novo IGAPE e inicia campanha tentando transformar a atual vantagem de Celina e Arruda em uma disputa mais aberta; situação jurídica do ex-governador segue como variável eleitoral
Leandro Grass (PT) começa a campanha oficial pelo Governo do Distrito Federal diante de um desafio claro: encurtar a distância para José Roberto Arruda (PSD) e transformar a corrida por uma vaga no segundo turno em uma disputa mais aberta.
A nova pesquisa do Instituto Gazeta de Pesquisas (IGAPE), divulgada nesta segunda-feira (17), coloca Grass com 9,4% das intenções de voto no cenário estimulado.
Celina Leão (PP) lidera com 33,4%, enquanto Arruda aparece em segundo, com 23,7%.
Paula Belmonte (PSDB) tem 4,3%; Ricardo Cappelli (PSB), 3,5%; e Kiko Caputo (Novo), 2,8%.
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Outros 19,4% não souberam ou não quiseram responder.
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre 10 e 15 de agosto, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no TSE sob o número DF-02390/2026.
Grass tem 14,3 pontos para tirar de Arruda
A distância entre Grass e Arruda é significativa: 14,3 pontos percentuais.
Isso significa que, pela fotografia atual, o petista ainda não ameaça diretamente a segunda colocação.
Mas o início oficial da campanha abre uma nova fase da eleição. É justamente agora que entram com maior intensidade as agendas de rua, a propaganda eleitoral, a exposição dos programas de governo e a disputa territorial nas regiões administrativas.
Para Grass, portanto, a questão deixa de ser apenas ocupar a terceira posição e passa a ser encontrar caminhos para reduzir a distância que o separa do segundo colocado.
Há também uma diferença importante em relação aos demais candidatos.
Com 9,4%, Grass aparece numericamente com mais que o dobro das intenções de voto de Paula Belmonte, que registra 4,3%, e de Cappelli, com 3,5%.
O desafio é fazer esse espaço intermediário funcionar como ponto de partida, e não como teto.
Campanha aposta nas ruas
Grass iniciou a campanha oficial buscando contato direto com o eleitorado e ampliou nesta segunda-feira (17) as agendas públicas.
No Setor Comercial Sul, por exemplo, caminhou pela região e apresentou propostas voltadas à população em situação de rua. A agenda integra a estratégia de levar a campanha para problemas concretos da cidade e reforçar a presença territorial do candidato.
A movimentação ocorre depois de Grass também buscar protagonismo no primeiro debate televisionado entre os candidatos ao GDF, quando confrontou a atual gestão em temas como BRB, saúde, transporte e serviços públicos.
A pesquisa do IGAPE foi realizada integralmente depois desse debate, ocorrido em 9 de agosto.
Não é possível atribuir os 9,4% ao desempenho de Grass no confronto — nem afirmar crescimento ou queda com base em levantamentos de institutos diferentes. O dado mostra apenas a posição ocupada pelo candidato nesta nova fotografia eleitoral.
Arruda é também uma incógnita jurídica na corrida
Existe ainda uma variável que interessa diretamente à estratégia de Grass: a situação jurídica de José Roberto Arruda.
O PSD oficializou a candidatura do ex-governador ao Palácio do Buriti em 1º de agosto. Arruda sustenta que está apto a concorrer após as mudanças promovidas na Lei da Ficha Limpa.
A questão, entretanto, ainda envolve incerteza jurídica porque alterações na legislação sobre os prazos de inelegibilidade estão sob análise do Supremo Tribunal Federal. A discussão tem impacto direto sobre candidaturas em diferentes estados, inclusive no Distrito Federal.
Na prática, Arruda está na disputa e aparece nas pesquisas, mas o cenário jurídico continua sendo uma variável a acompanhar durante a campanha.
Para Grass, isso acrescenta um componente estratégico.
Se Arruda permanecer definitivamente na corrida, o petista precisará retirar uma diferença hoje superior a 14 pontos para alcançá-lo.
Qualquer mudança relevante no quadro jurídico do candidato do PSD, por outro lado, poderia reorganizar completamente a disputa pelo eleitorado hoje distribuído entre os principais concorrentes.
Eleição de 2022 é um ativo para Grass
Grass também tem um argumento eleitoral que nenhum dos candidatos do segundo pelotão atual possui: já chegou ao segundo lugar numa eleição para o GDF.
Em 2022, recebeu 434.587 votos, equivalentes a 26,25% dos votos válidos, e terminou a disputa em segundo lugar, atrás de Ibaneis Rocha, eleito no primeiro turno com 50,30%.
Desafio é transformar 9,4% em ponto de partida
O novo IGAPE não coloca Grass próximo de Arruda. Seria exagerado dizer isso.
Mas também mostra o petista numa posição numericamente superior ao grupo formado por Paula, Cappelli e Kiko.
A oportunidade política está em transformar essa diferença em impulso para buscar o pelotão da frente.
Grass tem campanha nacionalizada pela presença do PT, experiência na disputa de 2022 e um eleitorado de esquerda que pode funcionar como base inicial. O desafio será ampliar esse campo e conversar com eleitores que hoje estão com outros candidatos ou ainda não escolheram um nome.
Os 19,4% de entrevistados que não souberam ou não quiseram apontar candidato na estimulada mostram que existe espaço em disputa.
A pergunta que começa a ser respondida a partir de agora é se Grass conseguirá usar a campanha para transformar seus 9,4% em uma candidatura capaz de disputar efetivamente a segunda vaga.
Hoje, essa vaga está nas mãos de Arruda nas pesquisas.
Mas ainda faltam semanas de campanha, propaganda, debates e ruas até que o eleitor dê a resposta definitiva.
