Uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center e a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados revelou que 59% dos entrevistados avaliam a própria saúde como ótima ou boa, embora 63% estejam acima do peso e 42% não pratiquem atividade física, fatores que são considerados de risco para o câncer.
A pesquisa intitulada A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos também indica que 26% dos participantes são classificados como obesos, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde.
Entre aqueles que afirmam praticar atividade física, a frequência é baixa, com uma média de 2,4 dias por semana. O patologista e CEO do A.C.Camargo Cancer Center, Victor Piana, destaca que a prática regular de exercícios pode reduzir o risco de tumores, como os de intestino e mama, além de ajudar no controle do peso e melhorar a resposta do organismo durante e após o tratamento oncológico.
“O excesso de peso é hoje reconhecido pela ciência como fator de risco para mais de dez tipos de câncer, entre eles os de intestino, mama, pâncreas e esôfago. Ou seja: seis em cada dez brasileiros carregam, sem perceber, um dos principais fatores de risco da doença”, explica Piana. “Quem não se movimenta abre mão de uma das ferramentas de prevenção mais baratas e acessíveis que existem”, completou o médico.
Alimentação
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Dietas ricas em vegetais e fibras estão associadas a um menor risco de câncer de intestino, enquanto o consumo de ultraprocessados e carnes processadas apresenta riscos maiores. A pesquisa revela que 66% dos entrevistados consomem alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes, seis dias ou mais por semana, enquanto bebidas açucaradas, ultraprocessados, doces e frituras são consumidos em média cerca de 2 dias por semana.
Entre aqueles que enfrentam dificuldades para manter uma alimentação adequada, 29% mencionam o alto custo de carnes frescas, frutas e vegetais, enquanto 21% citam a falta de tempo e o cansaço da rotina. A dificuldade é ainda maior para quem ganha até um salário mínimo (40%), enquanto esse percentual cai para 10% entre aqueles que estão na faixa acima de cinco salários mínimos, onde o obstáculo passa a ser o tempo (39%).
Álcool
Em relação ao consumo de bebidas alcoólicas, 58% dos brasileiros afirmam não beber, enquanto 30% relatam consumir álcool de um a dois dias por semana e 5% indicam que bebem de cinco a sete dias por semana.
O álcool, classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígeno, está associado ao desenvolvimento de tumores na boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama. Quando combinado ao cigarro, os riscos aumentam.
Victor Piana observa que entre os que mais consomem álcool, a maior parte considera a própria saúde ótima ou boa. Essa percepção chega a 64% entre aqueles que bebem de cinco a sete dias por semana, em comparação a 58% entre os que não bebem.
“Esse paradoxo ilustra o perigo da falsa percepção de saúde. A socialização e o relaxamento associados ao consumo frequente de álcool fazem com que a pessoa confunda sentir-se bem com estar saudável”, afirma a pesquisa.
A pesquisa indica, segundo Piana, que o maior risco para a saúde do brasileiro não está no que ele sente, mas no que não percebe, como excesso de peso, sedentarismo, uso de cigarro e consumo de álcool, que são fatores de risco que se instalam silenciosamente na rotina.
“A boa notícia é que todos eles são modificáveis. Cuidar dos hábitos hoje é a forma mais eficaz de reduzir as chances de um diagnóstico de câncer amanhã”, conclui.
A pesquisa entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação.
Fonte: Agência Brasil
