Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes por calor no Brasil, aponta estudo

O calor extremo associado ao atual El Niño pode provocar cerca de 13,3 mil mortes adicionais no Brasil, segundo projeção divulgada pelo Climate Impact Lab, grupo de pesquisa ligado à Universidade de Chicago. O levantamento coloca o país entre os mais afetados pelos impactos das altas temperaturas.

A estimativa não significa que essas mortes já tenham ocorrido. O cálculo representa o número de óbitos relacionados ao calor que poderia ficar acima do esperado em condições consideradas normais, conforme a relação entre temperatura e mortalidade utilizada pelos pesquisadores.

No cenário global, o estudo projeta cerca de 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo. O Brasil aparece com uma das maiores estimativas, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia.

Norte e Nordeste concentram maior preocupação

No Brasil, os maiores impactos estimados estão concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

Segundo os dados divulgados pela Agência Brasil, o Pará aparece com aproximadamente 2,3 mil mortes projetadas, enquanto o Maranhão tem estimativa superior a 1,3 mil. Amazonas e Bahia aparecem com cerca de 1,2 mil cada.

O período de maior preocupação para o país coincide com o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, quando as altas temperaturas podem intensificar os riscos à saúde.

Por que o El Niño aumenta o calor?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta.

O próprio governo federal já vinha monitorando o episódio de El Niño previsto para 2026 e 2027. Documento do Cemaden apresentado em junho ressaltava, naquele momento, que ainda era cedo para determinar sua intensidade e lembrava que a gravidade dos impactos depende também da exposição e da vulnerabilidade das populações.

O estudo mais recente projeta aumento expressivo da exposição a dias de calor extremo e temperaturas acima dos padrões históricos nos próximos meses.

Como os pesquisadores chegaram a 13,3 mil mortes?

O número é resultado de uma modelagem estatística, e não de uma contagem de vítimas.

Os pesquisadores analisaram a relação entre temperatura e mortalidade em 24.378 regiões do mundo, considerando diferenças de clima, vulnerabilidade das populações e capacidade de adaptação. As temperaturas projetadas também foram comparadas a registros históricos.

Isso significa que os 13,3 mil óbitos são uma estimativa de mortalidade adicional associada ao calor, sujeita às incertezas próprias desse tipo de projeção.

Medidas podem reduzir número de mortes

Os pesquisadores defendem que parte dos impactos pode ser reduzida com preparação antecipada.

Entre as medidas apontadas estão sistemas de alerta para calor extremo, pontos de hidratação, locais de resfriamento, proteção de trabalhadores expostos às altas temperaturas e reforço da capacidade de atendimento dos serviços de saúde.

No Brasil, a preocupação é especialmente relevante diante da aproximação do verão e da possibilidade de períodos prolongados de temperaturas elevadas.

Redação
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