Senado aprova texto-base da PEC da Segurança Pública em votação simbólica

O Senado Federal aprovou, na tarde desta quarta-feira (2), o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, em votação simbólica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta, de autoria do Poder Executivo, visa endurecer as regras para chefes de facções criminosas e estabelece um novo pacto federativo entre a União, estados e municípios para combater o crime organizado no Brasil. A PEC já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados em forma de substitutivo.

O relator da proposta, senador Rogério Carvalho (PT-SE), destacou que “a criminalidade organizada deixou de ser um problema estadual isolado e assumiu dimensão nacional e até internacional”. Ele apontou que as facções que ameaçam a segurança nas cidades emergiram em presídios estaduais e se expandiram em áreas vulneráveis, aproveitando um modelo constitucional de segurança pública descentralizado.

Durante a reunião, um dos destaques apresentados na CCJ não foi analisado devido ao início da sessão no plenário do Senado. Assim, o colegiado deverá retomar a votação em uma próxima oportunidade. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), informou que a PEC da Segurança Pública deve ser votada em plenário no próximo esforço concentrado, previsto para a segunda semana de outubro, após o primeiro turno das eleições.

No parecer, Carvalho rejeitou a emenda que previa a constitucionalização da arrecadação de recursos de empresas de apostas digitais, as bets, que havia sido incluída por deputados. O texto aprovado retira a previsão de arrecadação de 30% das apostas de quota fixa para financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), transferindo essa definição para uma lei ordinária.

Entre as emendas rejeitadas, destacam-se propostas para criar um Sistema Nacional de Antecedentes Criminais (SINAC) e retirar do Tribunal do Júri a competência para julgar homicídios cometidos por integrantes de organizações criminosas ultraviolentas. O relator argumentou que o sistema de antecedentes poderia ser estabelecido por lei ordinária e que questões sobre a constitucionalidade do Tribunal do Júri deveriam ser decididas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Outra emenda que incluía agentes de trânsito como órgãos de segurança pública foi rejeitada, assim como uma que alterava a base de cálculo dos recursos destinados ao FNSP e ao Funpen.

A PEC aprovada propõe a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), alterando o artigo 144 da Constituição. Esse sistema visa a cooperação entre todos os órgãos de segurança do país, com forças-tarefas intergovernamentais e compartilhamento de informações.

Além disso, a proposta estabelece penas mais severas e regimes especiais de prisão para chefes de facções e milícias, incluindo a possibilidade de prisão em unidades de segurança máxima. Também prevê medidas patrimoniais contra o produto do crime e a responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas, além da proteção a denunciantes e seus familiares.

A PEC amplia ainda as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), permitindo policiamento em hidrovias e ferrovias federais, e aumenta a vinculação orçamentária para segurança pública. A proposta também prevê que 50% dos recursos do FNSP e do Funpen sejam repassados pela União a estados e municípios, excluindo despesas de custeio e investimento da polícia penitenciária nacional. Além disso, permite a criação de polícias municipais civis, submetidas ao controle externo do Ministério Público.

O relator ressaltou que a criação dessas polícias municipais representa uma inovação significativa, aproximando a segurança pública do cidadão, sem prejudicar as competências dos demais órgãos policiais. O substitutivo traz outras alterações relevantes, como a atribuição privativa do presidente da República de fixar a Política Nacional de Inteligência e a previsão de suspensão de direitos políticos em casos de prisão provisória.

*Texto atualizado às 19h11 para acréscimo de informações.

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