Proposta em análise na Câmara estabelece prazo de até três anos para substituição total e também alcança órgãos públicos e instituições privadas de ensino
Escolas públicas e privadas de todo o país poderão ter de substituir gradualmente copos, canudos, pratos, talheres, bandejas e outros produtos plásticos descartáveis por alternativas renováveis ou reutilizáveis.
A mudança está prevista no Projeto de Lei 1465/2026, em análise na Câmara dos Deputados. A proposta também alcança materiais escolares feitos de plástico e estabelece metas progressivas para a adaptação das instituições de ensino.
Pelo cronograma previsto no texto, as escolas deverão substituir 25% dos produtos alcançados pela nova regra nos primeiros seis meses de vigência da futura lei.
Depois de um ano, o percentual sobe para 50%. Em dois anos, chega a 75% e, ao final de três anos, a substituição deverá alcançar 100%.
A proposta vale tanto para instituições públicas quanto privadas.
Copos, canudos, pratos e talheres
O projeto estabelece diretrizes para reduzir o uso de produtos plásticos descartáveis de uso único.
Entram expressamente na lista copos, canudos, pratos, talheres e bandejas. Esses itens deverão ser gradualmente substituídos por produtos compostos de materiais renováveis ou reutilizáveis.
O projeto também estabelece diretrizes para materiais escolares plásticos.
As instituições de ensino deverão fomentar a utilização de alternativas sustentáveis e poderão recomendar que os próprios estudantes levem utensílios reutilizáveis.
A intenção é combinar redução de resíduos com ações de educação ambiental dentro das escolas.
Regra também alcança poder público
As mudanças não ficam restritas às salas de aula.
O PL também altera a Lei de Licitações e Contratos Administrativos para introduzir a substituição progressiva dos descartáveis na administração pública.
Com isso, o poder público deverá considerar as novas diretrizes na aquisição dos produtos alcançados pela legislação.
A proposta também modifica a Política Nacional de Educação Ambiental.
Autor fala em 500 bilhões de descartáveis
O projeto foi apresentado pelo deputado Ricardo Galvão (Rede-SP).
Na justificativa da proposta, o parlamentar afirma que aproximadamente 500 bilhões de itens plásticos descartáveis são produzidos anualmente no Brasil.
Segundo Galvão, a redução desses produtos ajudaria o país a avançar no cumprimento de compromissos ambientais e estimularia hábitos de consumo mais sustentáveis.
O deputado argumenta ainda que as escolas possuem papel estratégico nesse processo por reunirem milhões de estudantes e funcionarem como espaços de formação de hábitos.
Projeto ainda não é lei
Apesar do impacto que a proposta poderá produzir, as novas regras ainda não estão valendo.
O PL 1465/2026 foi apresentado em março e tramita em regime ordinário na Câmara dos Deputados.
A matéria está atualmente na Comissão de Educação e aguarda parecer do relator, deputado Paulo Lemos (PT-AP).
O prazo para apresentação de emendas ao projeto terminou em junho e nenhuma emenda foi apresentada nessa etapa.
Depois da Comissão de Educação, o texto ainda deverá passar pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania.
A tramitação ocorre em caráter conclusivo pelas comissões. Isso significa que, cumpridas as regras regimentais e na ausência de recurso para análise pelo Plenário, a proposta pode concluir sua passagem pela Câmara sem votação de todos os deputados em Plenário.
Mesmo que seja aprovada na Câmara, a medida ainda precisará passar pelo Senado antes de poder virar lei.
Até lá, escolas e órgãos públicos não estão obrigados a cumprir o cronograma previsto no projeto.
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