Procurador-Geral determina reabertura de investigação sobre morte de senegalês

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, determinou a reabertura da investigação sobre a morte do ambulante senegalês e refugiado Ngange Mbaye, que foi morto por um policial militar durante uma operação realizada na região do Brás, no centro da capital paulista, em abril do ano passado.

O caso havia sido arquivado pela Justiça em fevereiro deste ano após um pedido do próprio Ministério Público. Na manifestação que solicitou o arquivamento, o promotor Lucas de Mello Schaefer argumentou que o policial “agiu em legítima defesa”.

“Embora Ngagne Mbaye fosse estrangeiro, não parece minimamente razoável, em qualquer lugar do mundo, que uma pessoa em poder de um instrumento contundente, tal como uma barra de ferro, possa agredir outra pessoa desferindo repetidos golpes, com emprego de força, na região da cabeça e do tronco. Quando estes golpes se voltam contra agentes de segurança do Estado, que estão no legítimo exercício de suas funções, esta atitude é ainda mais grave e reprovável”, escreveu o promotor naquela ocasião.

Mbaye foi atingido por um disparo no abdome durante uma abordagem policial enquanto tentava proteger suas mercadorias e as de outro ambulante. Segundo o boletim de ocorrência registrado à época, Ngange teria resistido à apreensão de suas mercadorias e utilizado uma barra de ferro, que acabou atingindo um policial. Em seguida, o policial disparou contra Mbaye.

Vídeos que mostraram a abordagem policial e o momento do disparo ganharam as redes sociais, gerando grande repercussão na época. Houve protestos contra a violência policial e diversas manifestações, inclusive internacionais.

A ministra de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, chegou a pedir explicações ao governo brasileiro sobre a morte do ambulante. Em comunicado à imprensa, ela afirmou que buscaria, junto à representação diplomática, meios “para elucidar as circunstâncias dessa morte trágica”.

A ONG Horizon Sans Frontières, que acompanha casos de migração e violência, declarou que a morte de Mbaye foi “um novo crime cometido contra um cidadão senegalês no Brasil” e chegou a apontar o país como uma “zona de violência endêmica”.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania solicitou à Corregedoria da Polícia Militar, ao Ministério Público e à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo a realização de uma “apuração rigorosa dos fatos, com especial atenção às circunstâncias que levaram à morte de Ngange Mbaye, bem como a adoção de medidas que garantam a responsabilização dos envolvidos e a prevenção de futuras ocorrências semelhantes”.

Entidades do movimento negro também denunciaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos.

A morte de Mbaye ocorreu durante uma ação da Operação Delegada, um convênio firmado entre a prefeitura paulistana e o governo de São Paulo que permite a atuação de policiais militares de folga na fiscalização do comércio ambulante.

Fonte: Agência Brasil

Redação
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