No município de Caracaraí, em Roraima, um novo modelo de conservação florestal combina inovação tecnológica e ações socioambientais para assegurar a competitividade no mercado de carbono em uma área de 14 mil hectares. A iniciativa é promovida pela empresa paulista ZEG (Zero Emission Goal) e busca oferecer uma alternativa produtiva para regiões florestais que mantêm vegetação nativa, enfrentando a pressão do desmatamento legal, principal fonte de emissões de gases do efeito estufa no Brasil.
Carlos Jacob, diretor-presidente da ZEG, explicou que a área pertence a um produtor rural de soja de Goiás que havia solicitado autorização para desmatamento legal. O proprietário adquiriu a propriedade após a redução da reserva legal em Roraima. O Código Florestal permite que, em estados como Roraima, onde mais de 65% do território é formado por unidades de conservação, a reserva legal do bioma amazônico seja reduzida para 50% em propriedades privadas, desde que haja zoneamento ecológico econômico.
Com a implementação do modelo de conservação, a ZEG propôs ao produtor um investimento em tecnologia de monitoramento e prevenção de incêndios, além de um programa voltado às comunidades que coletam castanha-do-Pará nas proximidades. O proprietário cedeu o direito real da superfície da área por 40 anos, tempo necessário para a comercialização dos estoques de carbono.
A conservação conta com uma torre de 60 metros equipada com um sistema de monitoramento que detecta focos de incêndio. Cineone Silva, coordenador de operações de campo da ZEG, destacou que a tecnologia permite identificar rapidamente incêndios e acionar a equipe para a contenção, proporcionando um relatório em poucos minutos.
Cerca de 36 famílias que vivem em assentamentos vizinhos, dependentes da coleta da castanha-do-Pará, mantêm sua fonte de renda. Moradores como João Inácio Neto, que aprendeu a coletar castanha desde criança, expressaram preocupações sobre a mudança da paisagem com a chegada do agronegócio, mas a parceria com a ZEG trouxe esperança.
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A iniciativa também fortaleceu a atividade extrativista local, com apoio para a formação da Associação Agroextrativista do Município de Caracaraí (Agrocar), permitindo que as famílias trabalhem juntas e negociem coletivamente, obtendo preços melhores.
Carlos Jacob mencionou que foram investidos R$ 20 milhões no projeto, incluindo a certificação dos estoques de carbono. O estoque ainda não foi comercializado, mas já recebeu uma classificação AA pela agência BeZero, sendo a primeira nota duplo A de um projeto de carbono na Amazônia e a primeira do mundo para um projeto de desmatamento evitado.
