Um levantamento realizado pela Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados, a partir do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que a chamada Geração Prateada, composta por pessoas com 60 anos ou mais aptas a votar, cresceu cinco vezes mais do que o eleitorado geral nos últimos 16 anos.
Enquanto o número de eleitores de todas as faixas etárias aumentou 15% entre 2010 e 2026, o eleitorado 60+ cresceu 74% no mesmo período, passando de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em março deste ano.
Segundo a Nexus, os números podem aumentar ainda mais até o dia 6 de maio, prazo final para o cadastro de eleitores no TSE.
Até a data da coleta, 156,2 milhões de pessoas estavam aptas a participar do processo eleitoral no próximo mês de outubro, em comparação com 135,8 milhões em 2010. O levantamento sugere que, em um cenário de polarização acentuada, como ocorreu na eleição de 2022, conquistar o voto da população 60+ é uma estratégia importante.
De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a Geração Prateada pode definir o resultado das eleições deste ano.
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“É bastante plausível afirmar que a chamada Geração Prateada (60+) pode ser decisiva nas eleições, embora não se possa dizer que ela, sozinha, definirá o resultado”.
Peso relevante
Tokarski destacou que, na última eleição presidencial, em 2022, a diferença entre os candidatos foi pequena, inferior a 2 milhões de votos, o que torna esse grupo etário altamente estratégico. Numericamente, a geração 60+ representa um em cada quatro eleitores do país, podendo influenciar resultados em cenários equilibrados.
“Assim, embora não determine o resultado de forma isolada, pode atuar como fiel da balança, especialmente em cenários polarizados”, afirmou o CEO da Nexus.
Ele também observou que a tendência é que a proporção de eleitores seniores nas eleições acompanhe o aumento da longevidade. “A tendência é claramente de que a proporção de eleitores seniores acompanhe e até reflita diretamente o aumento da longevidade e do envelhecimento populacional”.
O levantamento mostra que a população com 60 anos ou mais saltou de 7% para 16% em três décadas e, em paralelo, o eleitorado 60+ cresceu rapidamente, já representando 23,2% dos votantes.
Abstenção
A abstenção entre os maiores de 60 anos apresentou queda nas últimas três eleições: somava 37,1% em 2014, passou para 36,4% em 2018 e 34,5% em 2022. Em contrapartida, as abstenções do eleitorado brasileiro em geral aumentaram de 19,4% em 2014 para 20,3% em 2018 e 20,9% no último pleito nacional.
Os maiores de 70 anos, embora tenham uma taxa de abstenção maior do que a média da Geração 60+, também têm comparecido mais às urnas. Sem obrigatoriedade de voto, esse público registrou 63,6% de abstenção em 2014, 62,7% em 2018 e 58,9% em 2022.
Na avaliação de Marcelo Tokarski, os brasileiros com mais de 70 anos que participam das eleições o fazem por convicção ou identificação política e, ao lado dos eleitores mais jovens, entre 16 e 18 anos, constituem as faixas de brasileiros a serem ‘conquistadas’ pelos candidatos. Ele acredita que, em um cenário político acirrado, essas pessoas têm a possibilidade de mudar os rumos de uma eleição.
Cenário político
O número de candidatos com mais de 60 anos também tem aumentado anualmente no Brasil, tanto nas eleições gerais quanto nas municipais. Segundo dados do TSE, nas últimas eleições, em 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60 anos ou mais se candidataram aos cargos em disputa, o que equivale a 15% de todas as candidaturas.
Esse montante é o maior desde o início da série histórica, em 1998. O pleito anterior, em 2022, também registrou recorde para eleições gerais, com 4.873 candidatos com 60 anos ou mais, representando 17% das candidaturas.
Fonte: Agência Brasil
