Goiás registra primeiro caso de febre Oropouche em Anápolis

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) confirmou o primeiro caso de febre Oropouche no estado. O paciente é um homem adulto, residente em Anápolis, e, após investigação da Vigilância Epidemiológica local, foi determinado que se trata de um caso autóctone, ou seja, com transmissão local.

A equipe da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da SES-GO está acompanhando o trabalho de monitoramento e investigação realizado pela vigilância epidemiológica da Regional de Saúde e pela Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis. A confirmação laboratorial foi realizada pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO).

O Lacen já realiza o monitoramento rotineiro de arboviroses, incluindo:

  • Dengue;
  • Zika;
  • Chikungunya;
  • Oropouche.

Até o momento, mais de 6 mil amostras foram analisadas para Oropouche pelo Lacen-GO, resultando em uma confirmação recente. O paciente procurou uma unidade de saúde em Anápolis no dia 24 de março, apresentando sintomas como exantema, febre e tontura, inicialmente suspeitando de dengue. Após acompanhamento e exames, o caso foi confirmado como febre Oropouche. O paciente teve sintomas leves e evoluiu para a cura.

Os sintomas da febre Oropouche são semelhantes aos da dengue e incluem:

  • dor de cabeça intensa;
  • febre;
  • dor muscular;
  • náusea;
  • diarreia.

A transmissão do vírus Oropouche ocorre principalmente por meio do inseto conhecido como Culicoides paraensis (maruim), também chamado de mosquito-pólvora. Após picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece no inseto por alguns dias, podendo ser transmitido a uma pessoa saudável quando o inseto a pica.

As equipes da Regional de Saúde e de Anápolis identificaram a presença do mosquito maruim no município. Em 2025, o Brasil registrou 11.988 casos da doença, com 5 óbitos confirmados e 2 casos ainda em investigação.

Um dos principais diferenciais da febre Oropouche é a alta taxa de recidiva dos sintomas, que pode ocorrer em até 60% dos pacientes. Isso significa que, após uma aparente melhora dos sintomas, que duram de 2 a 7 dias, cerca de metade dos pacientes pode apresentar um retorno dos sintomas, como dor de cabeça intensa, dor muscular e febre, uma a duas semanas após o início da doença.

É importante ressaltar que, assim como na dengue, não há tratamento específico para a febre Oropouche; o tratamento é direcionado aos sintomas que surgem. A subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, enfatiza a importância de reforçar as medidas de proteção, como o uso de repelentes e a eliminação de criadouros, que, no caso do maruim, incluem materiais orgânicos como folhas e restos de alimentos no chão.

“O monitoramento da febre Oropouche já é realizado e a população deve estar atenta à eliminação dos criadouros e aos cuidados para evitar o contato com o mosquito”.

“Não há motivo para pânico, mas devemos divulgar as informações para auxiliar no diagnóstico correto, na continuidade da vigilância laboratorial e no controle dos vetores”, reforça Flúvia.

O diretor de Vigilância em Saúde de Anápolis, Daniel Soares, informou que as equipes estão atuando de forma integrada, com ações intensificadas entre:

  • Vigilância Epidemiológica;
  • Vigilância Sanitária;
  • Vigilância em Zoonoses;
  • Endemias.

O objetivo é conter o mosquito transmissor e monitorar áreas de risco. Entre as medidas de prevenção, é necessário evitar:

  • picadas pelo mosquito transmissor, utilizando repelentes em áreas expostas do corpo, especialmente em gestantes;
  • usar roupas compridas de cor clara;
  • instalar mosquiteiros e telas ultrafinas nas residências.

De acordo com a nota técnica 117/2024 do Ministério da Saúde, não há, até o momento, comprovação da eficácia do uso de repelentes contra o maruim. Contudo, sua utilização é recomendada, principalmente para proteção contra outros mosquitos, como culex spp (pernilongo) e aedes aegypti.

Saiba mais: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/o/oropouche

Painel Epidemiológico Oropouche do Ministério da Saúde.

Fonte: Agência Goiás de Notícias

Redação
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