Um relatório divulgado pelo Ministério da Saúde no último dia 31 acendeu um alerta no Distrito Federal: o consumo de alimentos ultraprocessados na capital está acima da média nacional. Os dados fazem parte do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) e abrangem o período de 2006 a 2024.
De acordo com o levantamento, 27,5% dos adultos do DF relataram ter consumido cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados no dia anterior à entrevista. No Brasil, a média é de 25,5%. Com esse resultado, o Distrito Federal ocupa a oitava colocação entre as unidades da federação que mais consomem esse tipo de produto.
A gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Mélquia da Cunha Lima, destaca que os ultraprocessados têm baixo valor nutricional e estão associados a diversos problemas de saúde.
“O consumo desse tipo de alimento é responsável pelo excesso de peso corporal e está associado a pelo menos 15 tipos de câncer, além de doenças cardiovasculares e diabetes”, alerta.
O que são alimentos ultraprocessados
Os ultraprocessados são produtos de formulação industrial feitos, em sua maioria, a partir de substâncias extraídas de alimentos, como óleos, gorduras, açúcar e proteínas, além de ingredientes modificados ou sintetizados em laboratório, como corantes, aromatizantes e realçadores de sabor.
Segundo Mélquia, essa combinação favorece o consumo excessivo. “Esses produtos estimulam a pessoa a comer mais, não geram saciedade e acabam levando ao consumo contínuo de ultraprocessados”, explica.
Entre os principais exemplos estão biscoitos, balas, sorvetes, cereais açucarados, refrigerantes, refrescos em pó, embutidos, alimentos congelados prontos, macarrão instantâneo, temperos prontos e misturas para bolo.
Uma forma simples de identificar esses produtos é observar o rótulo. O Ministério da Saúde orienta que listas extensas de ingredientes, geralmente com cinco ou mais itens e nomes pouco familiares, indicam que o alimento é ultraprocessado.

Outros fatores de risco monitorados
Além da alimentação, o Vigitel acompanha diversos fatores de risco relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes, hipertensão e depressão. O levantamento analisa padrões de atividade física, consumo de álcool, tabagismo, excesso de peso, obesidade, qualidade do sono e acesso à prevenção de câncer.
A partir de 2024, o sistema passou a monitorar também indicadores ligados ao sono. No Distrito Federal, 20% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,1% relataram sintomas de insônia. Ambos os índices ficaram ligeiramente abaixo da média nacional.
O estudo aponta ainda que as mulheres apresentam maior incidência de problemas relacionados ao sono em comparação aos homens.
