Celina cria comissão para recuperar ativos e negociar ressarcimentos ao BRB

Grupo terá 30 dias para estruturar propostas de acordos, identificar valores, bens e direitos passíveis de recuperação; instrumentos serão submetidos previamente à governadora e depois ao STF

O Governo do Distrito Federal criou uma comissão especial para buscar a recuperação de ativos e negociar formas de ressarcimento de danos relacionados ao Banco de Brasília (BRB). A medida foi formalizada pela governadora Celina Leão por meio do Decreto nº 49.349, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta terça-feira (15).

A Comissão Especial de Recuperação de Ativos e Composição Consensual de Danos funcionará no âmbito da Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) e terá natureza técnica, propositiva e temporária.

O objetivo definido no decreto é identificar, negociar e estruturar propostas de composição consensual destinadas ao ressarcimento de danos, à restituição de valores, inclusive aqueles que estejam submetidos a constrição judicial, e à recuperação de ativos em favor do BRB.

Na prática, o GDF cria uma estrutura jurídica específica para tentar transformar valores, bens ou direitos identificados em recursos recuperados para o banco, inclusive por meio de acordos.

Comissão poderá negociar com pessoas e empresas

O alcance dado ao grupo pelo decreto é amplo.

A comissão poderá receber e analisar propostas voluntárias de composição de danos apresentadas tanto por pessoas físicas quanto por pessoas jurídicas, diretamente ou por representantes.

Também caberá ao grupo identificar valores, bens e direitos que possam ser restituídos ou recuperados, mensurar os danos correspondentes e preparar minutas de acordos, termos de compromisso e outros instrumentos necessários.

Quando necessário, os entendimentos poderão ser encaminhados para homologação judicial e manifestação dos órgãos competentes.

O decreto também autoriza interlocução com o Ministério Público, Poder Judiciário, Banco Central e órgãos de controle.

Acordos passarão por Celina e serão submetidos ao STF

Um dos pontos mais relevantes do decreto é o caminho estabelecido para os eventuais acordos.

A procuradora-geral do Distrito Federal, Diana de Almeida Ramos, fica autorizada a celebrar os instrumentos resultantes do trabalho da comissão. Antes disso, porém, eles deverão ser submetidos à governadora.

Depois, os instrumentos serão apresentados ao Supremo Tribunal Federal.

Trabalho começa nos próximos dias

A primeira reunião deverá ser convocada em até cinco dias após a publicação do decreto.

A partir dessa primeira reunião, a comissão terá 30 dias para concluir os trabalhos, prazo que poderá ser prorrogado pela procuradora-geral.

Durante as negociações, documentos e informações estarão sujeitos a restrições de acesso previstas em lei. Os integrantes e colaboradores terão de assinar termo de confidencialidade, e eventuais informações protegidas por sigilo bancário deverão permanecer sob as regras específicas aplicáveis ao setor.

A participação no grupo não será remunerada.

Foco é recuperação para o BRB

A redação do decreto deixa claro que a finalidade da nova estrutura é buscar soluções de recuperação em favor do banco por meio de negociação, segurança jurídica e preservação do interesse público.

Além da restituição de recursos, o desenho permite trabalhar com bens e direitos passíveis de recuperação e com propostas voluntárias de composição.

O decreto entrou em vigor nesta terça-feira (15).

O próximo movimento concreto será a convocação da primeira reunião. A partir dela começa a correr o prazo inicial de 30 dias para os trabalhos da comissão.

Redação
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