Loja de autopeças movimentou R$ 1,3 milhão em dois meses e virou alvo de operação contra o tráfico no DF

Operação Consortium cumpriu 14 mandados em Samambaia, Sol Nascente e Taguatinga. Polícia investiga esquema que reunia dinheiro de traficantes para comprar drogas em outros estados.

Uma empresa registrada para comercializar peças automotivas movimentou R$ 1,3 milhão em apenas dois meses e passou a ser investigada por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas no Distrito Federal. O estabelecimento está entre os alvos da Operação Consortium, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta sexta-feira (23/10).

Coordenada pela 26ª Delegacia de Polícia, de Samambaia Norte, a operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em Samambaia, Sol Nascente e Taguatinga. Quatro homens apontados como integrantes do grupo estão entre os principais investigados.

De acordo com a PCDF, a organização suspeita funcionava como uma espécie de consórcio: traficantes locais reuniam recursos para financiar a compra de drogas em outros estados, enquanto um núcleo do grupo organizava o transporte e a distribuição dos entorpecentes no DF.

A investigação busca atingir não apenas os pontos de venda, mas também a estrutura financeira utilizada para manter o abastecimento do tráfico.

Empresa movimentou R$ 1,3 milhão em 60 dias

Um dos principais elementos identificados pelos investigadores foi a movimentação financeira de uma empresa formalmente registrada no ramo de autopeças.

Segundo a Polícia Civil, o negócio movimentou aproximadamente R$ 1,3 milhão em dois meses, embora não apresentasse estrutura física compatível com o volume de transações.

A análise realizada pelos investigadores reforçou a suspeita de que contas empresariais estivessem sendo utilizadas para receber valores provenientes da comercialização de drogas e realizar pagamentos a fornecedores de outros estados.

A polícia apura se a empresa funcionava como fachada para dificultar o rastreamento do dinheiro.

A movimentação de R$ 1,3 milhão representa o volume de transações financeiras identificado no período, e não necessariamente lucro obtido pelo grupo ou valor de recursos cuja origem ilícita já tenha sido comprovada judicialmente.

Investigação começou com prisão em Samambaia

A apuração teve início em junho de 2025, quando policiais da 26ª DP prenderam um homem suspeito de atuar no tráfico de drogas nas quadras 621 e 623 de Samambaia.

A análise do material reunido naquela investigação levou os agentes a identificar indícios de uma rede de fornecimento mais ampla, com participação de pessoas responsáveis pela aquisição, pelo transporte e pela distribuição de entorpecentes.

Conforme a Polícia Civil, o grupo teria criado um sistema de financiamento coletivo das compras. Os traficantes locais contribuíam com dinheiro para adquirir as drogas, que eram transportadas por rodovias até o Distrito Federal.

Depois da chegada das cargas, os entorpecentes seriam armazenados temporariamente antes da distribuição aos participantes.

Chácaras eram utilizadas como depósitos, diz PCDF

As investigações apontam que chácaras localizadas em Samambaia e no Sol Nascente eram utilizadas como pontos de armazenamento.

Segundo a polícia, esses imóveis faziam parte da estrutura logística do grupo, permitindo guardar as drogas antes de sua divisão entre os revendedores.

O esquema investigado teria etapas distintas: financiamento das compras, aquisição fora do DF, transporte rodoviário, armazenamento e distribuição aos pontos de venda.

A identificação dessa estrutura levou os policiais a ampliar a investigação para além dos suspeitos responsáveis pela comercialização direta dos entorpecentes.

Polícia investiga tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro

Os investigados poderão responder por tráfico de drogas, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a responsabilidade individual que vier a ser demonstrada.

De acordo com a PCDF, as penas previstas para os crimes investigados, consideradas em conjunto, podem chegar a 33 anos de prisão.

A Operação Consortium também busca aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pelo grupo e identificar outros possíveis participantes da rede de fornecimento.

Até as informações disponíveis nesta sexta-feira, não havia confirmação oficial sobre a quantidade de drogas, dinheiro ou outros materiais eventualmente apreendidos durante os mandados.

Também não foi confirmado se os quatro principais alvos foram presos na operação. Mandados de busca e apreensão não devem ser confundidos com ordens de prisão.

As investigações continuam sob responsabilidade da 26ª Delegacia de Polícia. Os suspeitos têm direito à presunção de inocência e à ampla defesa.

Redação
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