Pesquisas colocam Chico Vigilante entre os primeiros, mas petista freia clima de “já ganhou”

Deputado aparece com frequência entre os nomes mais citados para a CLDF, mas evita tratar levantamentos como resultado antecipado da eleição

Faltando poucos dias para as eleições, Chico Vigilante (PT) tem motivos para acompanhar as pesquisas com atenção, mas não para comemorar antecipadamente. O deputado distrital aparece de forma recorrente entre os candidatos mais citados na disputa por uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), mas mantém distância do clima de “já ganhou”.

Os levantamentos divulgados ao longo de setembro mostram Chico alternando entre a primeira posição numérica e o grupo que aparece no topo das pesquisas. A posição, no entanto, não tem sido suficiente para mudar o discurso do parlamentar na reta final.

Para Chico, pesquisa é fotografia do momento. A eleição, como ele próprio já destacou durante a campanha, só estará decidida depois que os votos forem depositados e apurados.

A cautela tem uma explicação que vem de longe.

Uma eleição de 1998 que Chico não esqueceu

Ao comentar seu desempenho nas pesquisas em entrevista ao Correio Braziliense no início de setembro, Chico recuperou uma história de quase três décadas atrás.

O petista lembrou a eleição de 1998, quando disputava uma vaga e, segundo seu relato, pessoas próximas passaram a tratar sua vitória como certa antes da votação. O resultado foi diferente: Chico não conseguiu se eleger.

A experiência virou uma espécie de alerta contra a antecipação de resultados. Em 2026, mesmo aparecendo novamente em posições de destaque, o deputado evita considerar a eleição resolvida antes das urnas.

Chico alterna posições, mas permanece no grupo da frente

Os próprios números das pesquisas ajudam a explicar a cautela.

No levantamento do Instituto Gazeta de Pesquisa (Igape) divulgado em 7 de setembro, Chico apareceu numericamente na primeira posição, com 4,1% das intenções de voto. Joaquim Roriz Neto (PL) e Pepa (PP) registraram 3,8% cada. Foram ouvidos 2 mil eleitores e a margem de erro era de 2,2 pontos percentuais.

Na rodada do Igape divulgada em 21 de setembro, houve mudança. Joaquim Roriz Neto apareceu com 3,9%, seguido por Chico, com 3,4%. Martins Machado (Republicanos) e Wellington Luiz (MDB) registraram 3,2% cada.

Já a pesquisa Exata OP divulgada em 23 de setembro voltou a mostrar Chico na primeira posição numérica, com 1,950% das citações. Max Maciel (PSOL) apareceu com 1,825% e Joaquim Roriz Neto com 1,625%. O levantamento realizou 4 mil entrevistas e foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número DF-08683/2026.

Na rodada mais recente do Correio/Opinião Inteligência Política, também divulgada nesta semana, Max Maciel registrou 2,3%, enquanto Chico e Jaqueline Silva (MDB) apareceram com 2,03% cada. A margem de erro do levantamento é de 3,1 pontos percentuais.

As diferenças entre os candidatos, portanto, precisam ser lidas considerando as margens de erro de cada levantamento.

Pesquisa não distribui as 24 cadeiras da CLDF

Há ainda outra particularidade na eleição para deputado distrital. Diferentemente de uma disputa majoritária para governador ou presidente, não basta terminar individualmente entre os 24 candidatos mais votados para assegurar uma das 24 cadeiras da Câmara Legislativa.

A distribuição das vagas obedece ao sistema proporcional e considera também os votos recebidos pelos partidos e federações.

É mais uma razão para que uma boa colocação em pesquisa não possa ser convertida antecipadamente em cadeira garantida.

Chico Vigilante chega à reta final, portanto, aparecendo repetidamente entre os nomes mais lembrados pelo eleitorado nos levantamentos divulgados durante setembro. Mas a experiência de outras eleições parece ter deixado uma regra clara no discurso do petista: o “já ganhou” fica para depois da abertura das urnas.

Redação
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