Duas universidades públicas brasileiras integraram-se a instituições internacionais em um esforço conjunto para encontrar novos tratamentos e a cura para a hepatite B. A iniciativa global é liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e conta com grupos de pesquisa da Índia, Senegal, Uganda e do Brasil.
No país, o projeto é representado pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e pela Universidade de São Paulo (USP).
Metodologia e objetivos do estudo
Criado em 2023, o consórcio passou por uma suspensão em 2024 e foi retomado no ano seguinte. No Brasil, o estudo teve início este ano e tem duração prevista de cerca de 5 anos. A pesquisa une investigação científica básica e prática clínica para analisar o comportamento do vírus a nível celular e as respostas imunológicas de pessoas infectadas, incluindo indivíduos com coinfecção por hepatite B e HIV.
O plano envolve o acompanhamento de 600 pacientes com hepatite B e com a coinfecção por hepatite B e HIV durante cerca de quatro anos e meio cada. O total divide-se em 150 pacientes por país, sendo 75 sob a responsabilidade da equipe do Hucam-Ufes, liderada pela professora Tânia Reuter.
O recrutamento dos participantes no Brasil começou em julho. Até o momento, a equipe conta com 40 participantes e a meta é completar o grupo de 75 pessoas até o final deste ano, com prazo estipulado pela pesquisa até meados de 2027.
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O objetivo central é identificar fatores que determinam a evolução diferente do vírus em cada paciente, características genéticas de proteção e subpartículas virais que sirvam como preditores de tratamento ou cura.
Impacto e contexto da hepatite B
A hepatite B é descrita como uma doença viral silenciosa que ataca o fígado e ainda não possui cura, podendo progredir para cirrose, câncer hepático e morte. Dados de 2024 da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam cerca de 240 milhões de pessoas com infecção crônica. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.
A transmissão do vírus pode ocorrer por via sexual, contato com sangue contaminado e de mãe para filho durante a gestação ou o parto. Conforme a Sociedade Brasileira de Clínica Médica, o vírus B é 100 vezes mais contagioso que o HIV.
A meta global estabelecida pela OMS visa erradicar o HIV, as hepatites virais e as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como ameaças à saúde pública até 2030. Relatório da organização publicado em julho deste ano indicou que as infecções anuais por hepatites virais caíram 32% no mundo desde 2015, impulsionadas pelo avanço da vacinação infantil, que chegou a 84% em 2024.
Prevenção e vacinação
Segundo o Ministério da Saúde, a vacina é a principal forma de prevenção e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para qualquer pessoa não vacinada, sem restrição de idade.
O esquema de imunização recomendado para crianças compreende quatro doses: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de idade. Para adultos, a orientação geral consiste na aplicação de três doses.
Outras medidas preventivas incluem o uso de preservativo interno e externo em todas as relações sexuais, além de evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal e perfurocortantes.
