Assim que as temperaturas começam a cair e o ar fica mais seco, Adelma Pereira da Silva já sabe que precisa redobrar os cuidados. Asmática desde a infância, ela convive com falta de ar, crises respiratórias e noites difíceis quando a doença não está controlada. A experiência da paciente reflete a realidade de milhões de brasileiros e reforça o alerta do Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado neste domingo (21). A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns no mundo e afeta cerca de 10% da população. Embora não tenha cura, pode ser controlada com tratamento adequado, permitindo que os pacientes tenham qualidade de vida e mantenham suas atividades normalmente. A pneumologista Nancilene Melo, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), explica que o acompanhamento correto faz toda a diferença.
“Quando tratada corretamente, a asma costuma ser uma doença tranquila e a pessoa pode levar uma vida completamente normal. Sem acompanhamento, porém, o processo inflamatório pode evoluir para quadros graves e até levar à morte”, alerta. Entre os sintomas mais comuns da doença estão falta de ar, chiado no peito, sensação de aperto no tórax e respiração curta e acelerada. Segundo a especialista, fatores como mudanças climáticas, poeira, mofo, ácaros, fumaça e odores fortes podem desencadear ou agravar as crises. “Assim que esfria, a respiração piora muito. Quando estou usando a medicação corretamente, o impacto é menor, mas mesmo assim procuro evitar sair de casa nessas épocas”, relata Adelma.
“Quando tratada corretamente, a asma costuma ser uma doença tranquila e a pessoa pode levar uma vida completamente normal. Sem acompanhamento, porém, o processo inflamatório pode evoluir para quadros graves e até levar à morte” Nancilene Melo, pneumologista
De acordo com Nancilene Melo, o tratamento inclui o uso regular de medicamentos inalatórios à base de corticoides, muitas vezes associados a broncodilatadores, que atuam diretamente no controle da inflamação e ajudam a prevenir agravamentos. Além da adesão ao tratamento medicamentoso, a médica destaca que o controle do ambiente é fundamental para evitar crises. “Não adianta tomar todos os medicamentos corretamente e conviver diariamente com mofo ou outrass de irritação respiratória. O tratamento e os cuidados com o ambiente precisam caminhar juntos”, afirma.
Na rotina de Adelma, a limpeza da casa é uma das principais estratégias para reduzir os sintomas. “Preciso tirar a poeira e limpar as superfícies todos os dias. Troco a roupa de cama a cada três dias, mesmo quando não está suja, e ainda assim as crises costumam ser mais intensas durante a noite. Eu preciso dormir usando oxigênio”, conta.
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Entre as orientações dos especialistas para manter a doença sob controle estão:
- utilizar a medicação conforme prescrição médica;
- evitar contato com poeira, mofo e ácaros;
- manter os ambientes limpos e ventilados;
- não fumar e evitar exposição à fumaça;
- realizar acompanhamento médico regular;
- evitar o contato com produtos e odores que provoquem irritação respiratória.
O Hospital de Base oferece atendimento especializado para pacientes com asma de difícil controle. Essa classificação é destinada aos casos em que a doença permanece sem controle mesmo após o uso correto das medicações e a adoção das medidas recomendadas para reduzir os fatores de risco ambientais. “São situações em que, mesmo com ajustes no tratamento e aumento das doses dos medicamentos, ainda não se obtém um controle satisfatório da doença”, explica a pneumologista.
Adelma está entre os pacientes acompanhados pelo serviço especializado do HBDF. Além dos medicamentos utilizados diariamente em casa, ela recebe mensalmente aplicações de medicamentos específicos para auxiliar no controle da doença. Atualmente, o Distrito Federal conta com cerca de 27 centros de referência para atendimento de pessoas com asma, distribuídos entre hospitais regionais e unidades de saúde. Esses serviços oferecem diagnóstico, acompanhamento especializado e acesso à medicação. Para ingressar na rede de atendimento, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS), responsável pela avaliação inicial e pelo encaminhamento dos pacientes quando necessário.
Para Adelma, o tratamento adequado representa muito mais do que o controle dos sintomas: significa qualidade de vida. “Sem os remédios é um sofrimento muito grande, fica difícil viver. Quando consigo seguir o tratamento completo, até o som da minha respiração melhora”, comemora.
Fonte: Agência Brasília
