O Governo do Distrito Federal (GDF) tem implementado diversas medidas para fortalecer a atuação da Polícia Civil, incluindo a modernização e construção de novas delegacias, ampliação do horário de atendimento, nomeação de novos agentes e valorização da corporação. Desde 2019, foram incorporados 1.746 servidores, entre delegados, agentes de polícia, agentes policiais de custódia, escrivães, papiloscopistas, peritos médicos-legistas e peritos criminais. Com isso, o efetivo total passou de 4.446 para 4.880 policiais, representando um aumento de 9,76%. Esses novos servidores têm como objetivo impulsionar os serviços da PCDF, que incluem a investigação de crimes, perícias e produção de provas técnicas, condução de inquéritos policiais, cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão, entre outras atribuições.
A corporação conta atualmente com 31 delegacias circunscricionais, das quais 13 são centrais de flagrante, que passaram a funcionar 24 horas a partir de março de 2019, visando garantir maior acolhimento às vítimas e melhores condições de trabalho aos agentes. O funcionamento ininterrupto das delegacias foi possibilitado pelo Serviço Voluntário Gratificado (SVG), instituído pela Lei nº 6.261/2019, que permite que policiais civis trabalhem voluntariamente durante suas folgas, recebendo R$ 95 por hora, valor que foi reajustado em março deste ano.
“Determinados crimes não podem ser registrados pela delegacia eletrônica; são crimes mais graves e que têm que ter uma resposta mais séria, como homicídio e roubo de veículo. A pessoa vinha registrar o crime e estava tudo fechado, e muito provavelmente ela não ia vir depois, porque já estava frustrada em razão do crime que sofreu e por ter buscado o estado e não ter tido atendimento. Com a abertura das delegacias, conseguimos ampliar as investigações e atender melhor a população”, salienta o delegado adjunto da 17ª DP, em Taguatinga Norte, Thiago Boeing.
Boeing destaca que a chegada de novos policiais civis possibilitou o reforço das principais áreas da corporação. “Conseguimos lotar os policiais no plantão, mas especialmente na investigação, que é a nossa atividade-fim e estava com um déficit muito grande, porque havia poucos policiais e muitas ocorrências para serem investigadas. Com a chegada dos policiais, tivemos esse acréscimo para dar uma resposta mais séria para a população após o atendimento inicial que é feito no plantão”, ressalta.
Desde 2019, o GDF investiu R$ 78,1 milhões na construção, reforma e modernização das delegacias. A principal obra foi a construção do novo Instituto Médico Legal (IML), no Plano Piloto, com um aporte de cerca de R$ 47,4 milhões. Também foi construída a 35ª Delegacia de Polícia (DP), em Sobradinho II, erguida do zero com R$ 10,5 milhões. Outras seis delegacias passaram por reformas: a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam I), na Asa Sul; a 17ª DP, em Taguatinga Norte; a 9ª DP, no Lago Norte; a 10ª DP, no Lago Sul; o posto policial do aeroporto; e a Divisão de Operações Aéreas (DOA/Depate).
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A 17ª Delegacia de Polícia, localizada em Taguatinga Norte, foi inaugurada pelo GDF em dezembro de 2020, com investimento de R$ 4.168.043,27. A unidade foi adequada ao novo padrão da PCDF, que inclui acesso separado para custodiados e para o público em geral, sala de acolhimento para vítimas de violência sexual, vagas operacionais para viaturas de plantão, acessibilidade ampliada, expansão das seções de investigação e modernização completa da estrutura operacional.
“Não adianta a população fazer uma ocorrência se essa ocorrência ficar parada. Precisamos de uma equipe que possa dar continuidade a essa investigação. E, para que a gente consiga fazer um trabalho de excelência, precisamos de uma estrutura também de excelência”, frisa a agente policial Ana Beatriz Guedes, nomeada para a PCDF em novembro de 2024.
Ela também destaca que a criação de salas específicas proporciona mais privacidade, segurança e conforto às vítimas. “Temos um protocolo em que crianças e adolescentes só podem ser ouvidos em uma sala adequada. Então, precisava de uma sala lúdica até para que se sentissem mais à vontade, porque geralmente são crimes que os deixam muito envergonhados e a delegacia, no primeiro momento, pode ser hostil para eles”, explica.
Além disso, a construção da nova policlínica da PCDF foi autorizada pela governadora Celina Leão neste mês, com um investimento de R$ 34,8 milhões. O complexo vai ampliar atendimentos médicos, odontológicos e de reabilitação para a corporação, atendendo servidores da ativa, inativos e seus dependentes. O aporte é proveniente de um contrato de repasse firmado entre a União, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e a PCDF, além de recursos próprios da instituição.
A expansão do efetivo, a modernização das delegacias e a ampliação do horário de atendimento fortalecem o trabalho da PCDF e, consequentemente, o apoio prestado à população. O empresário Wilcker Medrado, de 24 anos, relata que as medidas resultaram em mais agilidade e assertividade na resolução de ocorrências policiais. Seu empreendimento foi assaltado no começo deste ano, e, em menos de uma semana, os criminosos foram presos.
“Por volta das 10h, entraram duas pessoas na loja, perguntando o valor dos passarinhos, da ração e como funciona o nosso atendimento — até que um deles disse que era um assalto e mostrou uma faca, rendendo a mim e mais três colaboradores. Eles levaram os nossos aparelhos, alianças, tudo o que tínhamos. Depois que foram embora, viemos direto aqui na delegacia, e já começou a investigação”, relata o empresário. “Foi muito rápido, e recebemos apoio do pessoal o tempo todo. Os dois homens foram reconhecidos, mas infelizmente não conseguimos recuperar nossas coisas.”
Em 2025, a PCDF registrou mais de 446 mil ocorrências e instaurou 45.972 inquéritos policiais, com indiciamento de 22 mil pessoas. As ações operacionais também se destacaram, com o cumprimento de 5.082 mandados de prisão no DF e em outros estados e a prisão em flagrante de 2.650 pessoas. No total, foram realizadas 2.670 operações policiais.
Em abril deste ano, a governadora Celina Leão sancionou o Projeto de Lei Complementar nº 99/2026, que regulamenta o regime previdenciário da PCDF. A proposta busca garantir segurança jurídica e adequação constitucional às regras aplicáveis aos policiais civis, reunindo, em um único texto, todas as normas pertinentes às carreiras da corporação. Entre os principais pontos, está a preservação integral da aposentadoria especial prevista na Lei Complementar nº 51/1985, que assegura aposentadoria voluntária sem idade mínima, o reconhecimento das especificidades da atividade policial e a garantia da integralidade dos proventos. A legislação também amplia a proteção aos policiais em casos de acidente em serviço ou de doenças graves e garante o pagamento de proventos integrais nessas situações, além de assegurar pensão por morte integral às famílias, com valor equivalente ao subsídio ou aos proventos do servidor.
Fonte: Agência Brasília
