O rendimento médio mensal das famílias brasileiras alcançou R$ 2.264 por pessoa em 2025. Esse valor representa um crescimento real de 6,9% em relação a 2024, já descontada a inflação. Trata-se do maior valor já registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que teve início em 2012.
O dado de 2025 marca o quarto ano consecutivo de aumento no rendimento dos domicílios, conforme levantamento divulgado nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.
O comportamento do rendimento médio mensal por pessoa nos últimos anos é o seguinte:
Ano
Valor em reais
2019
R$ 1.904 (antes da pandemia)
- Faturamento da indústria registra crescimento de 3,8% em março
- Em 2025, aproximadamente 18 milhões de famílias receberam auxílio do governo.
- Rendimento dos mais ricos é 13,8 vezes superior ao dos mais pobres
- Fiocruz conquista patente para tratamento de malária resistente
- Operação da PF desarticula esquema de tráfico internacional de drogas
2020
R$ 1.820
2021
R$ 1.692
2022
R$ 1.809
2023
R$ 2.018
2024
R$ 2.118
2025
R$ 2.264 (recorde)
Para calcular esse valor, o IBGE considera todos os rendimentos recebidos pelos integrantes das famílias e divide pelo número de moradores do domicílio.
Além de salários e bônus, são incluídos na conta aposentadorias, pensões alimentícias, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguéis e aplicações financeiras, entre outros.
O analista da pesquisa, Gustavo Geaquintos, destaca que o trabalho tem um papel “muito grande” no aumento do rendimento da população.
“O valor foi puxado, em boa parte, pelo rendimento do trabalho.”
s também menciona que o Brasil experimentou níveis mínimos de desemprego no ano anterior, além de reajustes anuais do salário-mínimo.
Diferenças pelo país
A pesquisa apresenta dados relativos às unidades da Federação. O Distrito Federal e os estados do Sul e Sudeste lideram o ranking do rendimento domiciliar per capita:
Unidade da Federação
Rendimento
Distrito Federal
R$ 4.401
São Paulo
R$ 2.862
Rio Grande do Sul
R$ 2.772
Santa Catarina
R$ 2.752
Rio de Janeiro
R$ 2.732
Paraná
R$ 2.687
Nas últimas posições estão Ceará (R$ 1.379), Acre (R$ 1.372) e Maranhão (R$ 1.231).
Por região, o maior valor pertence ao Sul (R$ 2.734), seguido do Centro-Oeste (R$ 2.712) e Sudeste (R$ 2.669). Os menores rendimentos são do Nordeste (R$ 1.470) e Norte (R$ 1.558).
Trabalho e outrass
De acordo com a pesquisa, 75,1% do rendimento médio mensal provém do trabalho, enquanto 24,9% vêm de “outrass”.
Ao detalhar os rendimentos que não são oriundos do trabalho, o IBGE revela que a maior parte corresponde a aposentadorias e pensões, com 16,4%. Programas sociais aparecem em seguida, com 3,5%, seguidos de aluguéis e arrendamentos (2,1%), outros (2%) e pensões alimentícias, doações e mesadas de não moradores (0,9%).
Nordeste
Ao analisar a origem do rendimento, o IBGE aponta que o Nordeste está abaixo da média nacional em relação à parcela proveniente do trabalho e acima em relação à parcela de outrass.
Na região, 67,4% do rendimento provém do trabalho, enquanto as outrass representam 32,6% do orçamento das famílias.
Enquanto a média nacional de aposentadorias e pensões corresponde a 16,4% do rendimento, no Nordeste essa proporção é de 20,4%. Quando se considera a origem de programas sociais do governo, a parcela no Nordeste chega a 8,8%, a maior do país.
Renda individual
A Pnad também detalhou informações específicas sobre a renda dos brasileiros, com dados individuais, sem dividir pelo número de pessoas que compõem a família.
Em 2025, o Brasil contava com 212,7 milhões de pessoas, sendo 143 milhões com algum tipo de rendimento, o que representa 67,2% da população. Esse é o maior nível já registrado, superando o recorde anterior de 2024, que era de 140 milhões e 66,3%, respectivamente.
A parcela de brasileiros com rendimento do trabalho alcançou 47,8% da população, enquanto 27,1% receberam alguma outra, ambos os índices são recordes.
Entre os que recebem outrass, aposentadorias e pensões previdenciárias eram ade rendimento mais comum, representando 13,8% da população, o maior patamar da série histórica. Em 2012, 11,7% das pessoas recebiam dinheiro de aposentadorias e pensões.
O analista Gustavos atribui o crescimento dessa parcela a uma questão demográfica.
“Isso reflete, sobretudo, o envelhecimento populacional.”
Os brasileiros que recebiam programas sociais do governo, como o Bolsa Família, representavam 9,1% da população, ligeiramente abaixo do ano anterior (9,2%), mas em nível superior ao observado no período pré-pandemia. Em 2019, 6,3% recebiam benefícios.
Recorde no rendimento
O ano de 2025 foi marcado pelo recorde no valor dos rendimentos individuais dos brasileiros, tanto os de origem no trabalho quanto os de todas ass.
No ano anterior, o rendimento médio mensal do trabalho foi de R$ 3.560, alta de 5,7% acima da inflação em comparação com 2024 (R$ 3.208).
Quando se considera todos os tipos de rendimentos – trabalho, aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, bolsas de estudo, benefícios sociais, aluguéis – a média mensal ficou em R$ 3.367, com uma expansão de 5,4% em relação ao ano anterior.
Concentração e benefícios
A Pnad também revela que os 10% mais ricos da população tinham rendimento 13,8 vezes maior que os 40% mais pobres.
Outra constatação é que 22,7% das famílias brasileiras (18 milhões de domicílios) recebiam em 2025 algum benefício social do governo, seja federal, estadual ou municipal.
Fonte: Agência Brasil
