A vacina contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segue como uma das principais formas de prevenção contra diversos tipos de câncer. No entanto, dados recentes mostram que a cobertura entre adolescentes ainda está abaixo do ideal no Brasil.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, apenas 54,9% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmaram com certeza que foram vacinados contra o HPV — vírus responsável por cerca de 99% dos casos de câncer de colo do útero.
✅ Clique aqui para seguir o canal do Repórter Capital no WhatsApp.
Baixa cobertura preocupa especialistas
Apesar da vacina estar disponível em todas as unidades de saúde do país, 10,4% dos adolescentes ainda não foram imunizados e 34,6% sequer sabem se receberam a dose.
- Senado aprova crime de “vicaricídio” com pena de até 40 anos; entenda o que muda
- Americanas pede fim da recuperação judicial após rombo bilionário e venda de ativos
- Violência no Rio impede quase 190 mil alunos de irem à escola, aponta estudo
- Uma em cada 4 adolescentes já sofreu violência sexual no Brasil, aponta IBGE
- Caso Henry Borel: julgamento de mãe e padrasto começa hoje (23) após 5 anos de espera
Na prática, isso representa aproximadamente 1,3 milhão de jovens desprotegidos e outros 4,2 milhões potencialmente vulneráveis à infecção.
A vacinação é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, justamente por ser mais eficaz antes do início da vida sexual — principal forma de transmissão do vírus.
Falta de informação é principal barreira
Entre os adolescentes que não se vacinaram, metade afirmou não saber que precisava tomar a vacina. Para especialistas, esse dado evidencia um problema além das fake news: a falta de informação.
Outros fatores também foram apontados, como recusa dos responsáveis, desconhecimento sobre a função da vacina e dificuldade de acesso aos postos de saúde.
A pesquisa ainda mostrou diferenças entre redes de ensino: estudantes da rede pública têm maior índice de não vacinação, enquanto na rede privada há maior influência da recusa dos pais.
Início precoce da vida sexual aumenta risco
O levantamento também revelou que 30,4% dos estudantes já tiveram relação sexual, com idade média de início de 13,3 anos para meninos e 14,3 anos para meninas.
Esse cenário reforça a importância da vacinação precoce como estratégia de proteção contra o HPV e suas consequências.
Estratégias para ampliar a vacinação
De acordo com o Ministério da Saúde, dados mais recentes indicam melhora na cobertura vacinal, com 86% das meninas e 74,4% dos meninos imunizados em 2025.
Desde 2024, a vacina passou a ser aplicada em dose única, o que facilita a adesão.
Além disso, o governo lançou uma estratégia de “resgate vacinal” para jovens de 15 a 19 anos que não receberam a dose na idade recomendada. A campanha segue até junho de 2026 e inclui ações em escolas.
Quem tiver dúvidas pode verificar a situação vacinal pelo aplicativo Meu SUS Digital ou procurar a unidade de saúde mais próxima.
