Petrobras e Pemex discutem parceria para exploração no Golfo do México

A Petrobras e a Pemex, empresa estatal mexicana de petróleo e gás, estão em negociação para estabelecer uma parceria na prospecção e exploração de petróleo em águas profundas no Golfo do México, além de projetos conjuntos de refino e gás. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que a colaboração está sendo articulada entre os governos do Brasil e do México.

Durante um evento em Manaus (AM), Lula relatou que recebeu um telefonema da presidente do México, Claudia Sheinbaum, manifestando interesse na parceria. Ele também mencionou que a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, irá ao México para discutir a cooperação.

“Vamos fazer uma associação com a Pemex e vamos ao Golfo do México para ver se o companheiro Trump vai se meter com a Petrobras prospectando água a 2,5 mil metros [de profundidade]”, afirmou Lula, referindo-se às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interferir em países latino-americanos.

Missões técnicas de ambas as estatais têm sido realizadas no México e no Brasil para avaliar a viabilidade geológica, reservas e adequações regulatórias na região. A Petrobras é muito respeitada no mundo, destacou o presidente.

Investimentos

Lula participou, em Manaus, de anúncios de investimentos da Petrobras no Amazonas. A empresa destinará mais de R$ 2,8 bilhões para ampliar a produção de gás natural no Polo Urucu, em Coari (AM), e para a construção de embarcações no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, na capital do estado.

O presidente defendeu que a Petrobras deve ser utilizada para gerar riqueza e desenvolver o país.

“Nós temos que utilizar o potencial de uma empresa do porte da Petrobras, que tem ações na bolsa de Nova York, em que o governo pode indicar a direção e o conselho”, disse.

“Mas o governo não manda na Petrobras, a gente discute as prioridades do Brasil. Não é o que a Petrobras precisa, é também o que o Brasil precisa. Porque se a gente não fizer as barcaças aqui, a gente não gera emprego, a gente não gera conhecimento tecnológico, a gente não forma bons profissionais”, reforçou.

Para o presidente, a fabricação das embarcações em solo brasileiro proporciona mais autonomia ao país e gera empregos na indústria naval. Ele observou que esse setor empregava cerca de 16 mil trabalhadores e, nos últimos anos, esse número aumentou para 75 mil.

“O minério de ferro é nosso, a siderúrgica é nossa, o estaleiro é nosso, a Petrobras é nossa. Por que a gente tem que comprar dos outros? A gente só compra dos outros aquilo que a gente não tem, não produz, não sabe fazer, mas a gente sabe fazer. Então, por que não gerar a oportunidade para as pessoas virarem profissionais?”, argumentou.

“Meu sonho é chegar a 100 mil trabalhadores na indústria naval, porque quem constrói uma barcaça, constrói duas, três, quatro barcaças e a gente não tem que ficar implorando para comprar de fora […]. E a gente tem débito comercial no transporte marítimo”, lembrou.

Em abril, o gasto com aluguel de equipamentos nas contas externas do país chegou a US$ 1,130 bilhão. Essa rubrica contabiliza o aluguel de itens como maquinários, plataformas e aeronaves pagos a empresas estrangeiras.

Fonte: Agência Brasil

Redação
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