Ações integradas combateram grupos extremistas que atuavam em plataformas digitais e investigam crimes de ódio, misoginia e incentivo à violência
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou, nesta terça-feira (4), os resultados das operações Lívia e Rede Interrompida, que desarticularam grupos criminosos envolvidos com misoginia, racismo, extremismo, apologia ao nazismo e incentivo à violência em plataformas digitais.
As ações foram coordenadas pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em conjunto com as polícias civis de oito estados.
Adolescente foi salva durante investigação
A Operação Lívia teve início após uma adolescente de 13 anos ser induzida, por integrantes de uma comunidade na plataforma Discord, a praticar maus-tratos contra um animal e, posteriormente, transmitir o próprio suicídio ao vivo.
Durante as investigações, cinco adolescentes, com idades entre 13 e 18 anos, foram apreendidos em cinco estados.
Segundo o coordenador do Ciberlab, delegado Alesandro Barreto, as equipes conseguiram impedir que outra adolescente cometesse suicídio durante a operação.
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“Infelizmente, não conseguimos salvar a Lívia, mas localizamos outra garota que cometeria suicídio ao vivo na internet e impedimos que isso acontecesse”, afirmou.
Ataque à Esplanada foi frustrado
Já a Operação Rede Interrompida, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), desarticulou um grupo de adolescentes que utilizava comunidades no Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos.
De acordo com a investigação, os integrantes recrutavam novos participantes e planejavam um ataque a prédios da Esplanada dos Ministérios, previsto para outubro, durante o período eleitoral.
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra oito investigados.
Governo cobra atuação das plataformas
Durante a apresentação das operações, representantes do governo afirmaram que Telegram e Discord descumpriram normas previstas na legislação e em decretos que tratam da proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital.
Segundo o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, houve demora na remoção de conteúdos relacionados à transmissão de suicídio e à divulgação de material criminoso.
O Ministério da Justiça informou que determinou a exclusão dos conteúdos e a suspensão dos servidores utilizados para a disseminação das práticas investigadas.
Integração entre forças de segurança
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, destacou que os resultados demonstram a importância da integração entre as forças policiais e da atuação do Ciberlab na produção de inteligência.
Ele também fez um alerta aos pais e responsáveis para que acompanhem de perto a atividade de crianças e adolescentes na internet.
Segundo o delegado-geral da PCDF, José Werik, foi o compartilhamento de informações pelo Ciberlab que permitiu à polícia identificar grupos extremistas e iniciar as investigações que culminaram na Operação Rede Interrompida.
