Uma pesquisa realizada pelo Instituto Update sobre doze candidaturas à Presidência da República revelou que as propostas direcionadas às mulheres abrangem diversas áreas políticas, com ênfase em quatro temas principais: violência, saúde, cuidado e autonomia econômica.
Embora as propostas sobre violência contra mulheres, feminicídio e proteção às vítimas estejam presentes em 75% dos planos analisados, as questões relacionadas à participação política e à presença feminina em espaços de poder tiveram menor destaque. A diretora executiva do Instituto Update, Carol Althaller, ressaltou que, embora os programas reconheçam problemas que afetam diretamente as mulheres, há uma carência de estratégias que considerem a inclusão delas como agentes de decisão e uma visão mais ampla de suas experiências cotidianas.
A análise focou apenas nas propostas explicitamente voltadas para as mulheres, excluindo políticas universais de segurança, emprego, saúde, educação ou transporte. A pesquisa “Mulheres em Diálogo (2025)” também indicou que 72% das entrevistadas são favoráveis ao aumento da representação feminina em cargos políticos. Contudo, apenas um candidato apresentou uma proposta específica para a participação político-eleitoral das mulheres, incluindo ações contra a violência política de gênero e formação de candidatas.
Em relação à segurança, 70% das mulheres que participaram da pesquisa afirmaram que acreditam que elas têm melhores ideias para a segurança pública. No entanto, apenas um candidato fez a conexão entre a segurança feminina e a mobilidade urbana.
No que diz respeito à violência, as propostas variam, mas incluem a ampliação de redes de proteção e o endurecimento penal. Mesmo assim, a análise aponta que poucos candidatos relacionam a insegurança que as mulheres enfrentam ao seu deslocamento nas cidades.
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A autonomia econômica foi abordada em mais da metade dos planos, com 58% apresentando propostas sobre trabalho, renda e igualdade salarial. A pesquisa “Mulheres em Diálogo (2025)” mostrou que 94% das entrevistadas concordam com a igualdade salarial entre homens e mulheres em cargos equivalentes.
Além disso, 58% dos planos analisados mencionam creches ou políticas de cuidado, associando o tema à participação das mulheres no mercado de trabalho e à redução de desigualdades. Contudo, as interpretações sobre a autonomia e a responsabilidade do Estado em relação ao cuidado ainda geram debates entre os candidatos.
O levantamento revela a necessidade de uma abordagem mais integrada e detalhada nas propostas dirigidas às mulheres, considerando suas realidades e experiências cotidianas.
