Câmara aprova Dia Marielle Franco como data nacional das defensoras e defensores de direitos humanos

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 6366/19, que institui o Dia Marielle Franco – Dia Nacional das Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, a ser celebrado anualmente em 14 de março, data do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018.

De autoria do ex-deputado David Miranda (Psol-RJ) e outros parlamentares do partido, o projeto recebeu parecer favorável da deputada Benedita da Silva (PT-RJ) e agora segue para análise do Senado Federal.

A relatora destacou que a proposta contribui para o fortalecimento da democracia ao reconhecer o papel de pessoas que, historicamente, lutam pela efetivação dos direitos fundamentais no Brasil.

“Ao instituir uma data de reconhecimento e memória, o projeto homenageia Marielle e tantas outras pessoas, promovendo a conscientização nacional sobre a importância da garantia da integridade física, psicológica e política desses sujeitos”, afirmou Benedita.

Nome e conteúdo ampliado

A deputada acolheu duas emendas apresentadas pela líder do Psol, Talíria Petrone (RJ). Uma delas formaliza o nome “Dia Marielle Franco” e a outra autoriza entidades públicas e privadas a promoverem ações de valorização e proteção de defensoras e defensores de direitos humanos.

Entre essas ações, estão:

  • Promoção de debates públicos sobre a importância da causa;

  • Incentivo à participação de mulheres, pessoas negras, povos indígenas e grupos historicamente marginalizados;

  • Divulgação de mecanismos nacionais e internacionais de proteção aos defensores.

A data já é lembrada em diversos estados e municípios. Segundo levantamento do Instituto Marielle Franco, em março de 2024 foram registradas mais de 150 atividades em 80 cidades brasileiras, reforçando o reconhecimento já consolidado na sociedade.

Divergência em Plenário

Deputados da oposição criticaram a homenagem nominal a Marielle Franco. O deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmou que o nome escolhido remete a uma figura política da esquerda. Já Luiz Lima (Novo-RJ) questionou por que outros nomes, como o do jornalista Tim Lopes, não foram escolhidos.

Em resposta, Chico Alencar (Psol-RJ) lembrou que é comum no Congresso nomear datas em homenagem a personalidades, como o Dia da Poesia – Carlos Drummond de Andrade e o Dia da Saúde – Oswaldo Cruz. “Agora o Dia Marielle Franco não pode, por preconceito ou ódio a quem defende direitos humanos?”, rebateu o parlamentar.

Benedita da Silva também reagiu às críticas: “Marielle era defensora de viúvas de policiais assassinados. É preciso fazer esse registro nesta Casa. Eu a conheci de perto”.

Violência contra defensores

De acordo com as organizações Terra de Direitos e Justiça Global, entre 2019 e 2022 foram registrados mais de 1.100 casos de violência contra defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil — um dado citado por Talíria Petrone na sessão de homenagem aos sete anos do assassinato da vereadora.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

Ana Paula Alves
Ana Paula Alves
Ana Paula Alves é jornalista e editora-chefe do Repórter Capital, com mais de 20 anos de experiência na cobertura de Brasília e do Distrito Federal. Atua principalmente em segurança pública, política local e informação de utilidade pública.

CONTINUE LENDO

- PUBLICIDADE -

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

- PUBLICIDADE -