Césio-137: médico relembra maior acidente radiológico do Brasil em palestra emocionante no HGG

Especialista revive atuação histórica e destaca evolução da medicina quase 40 anos após tragédia em Goiânia.

Quase quatro décadas após o maior acidente radiológico do país, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) foi palco de um momento de memória, aprendizado e emoção.

Na última quarta-feira (25), o médico da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Carlos Eduardo Brandão, que atuou diretamente no atendimento às vítimas do acidente com o Césio-137, ministrou uma palestra sobre os desafios enfrentados durante a tragédia de 1987.

Hospital foi referência no atendimento às vítimas

Durante o evento, realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, foi destacado o papel fundamental do HGG no atendimento aos casos mais graves.

À época, a unidade estruturou uma ala específica para isolamento e cuidado especializado — uma resposta inédita diante de um cenário ainda pouco conhecido pela medicina brasileira.

“Era um misto de surpresa, impotência e desafio”, relembrou o médico.

Um dos episódios mais marcantes da história do Brasil

O acidente com o Césio-137 teve início em setembro de 1987, em Goiânia, e foi classificado como nível 5 na escala internacional de acidentes nucleares — considerado grave e com impactos duradouros.

Segundo especialistas, a situação exigiu decisões rápidas diante de pacientes altamente contaminados, além de uma grande mobilização das autoridades.

O físico nuclear Walter Mendes Ferreira, também presente no evento, descreveu o momento como uma verdadeira operação de guerra.

Impactos que vão além da saúde física

Além dos danos causados pela radiação, o episódio deixou marcas profundas na sociedade.

O medo, a desinformação e o estigma enfrentado pelas vítimas foram lembrados como desafios tão relevantes quanto o atendimento médico.

“Foi um período extremamente difícil”, destacou o especialista.

Memória, evolução e sensação de dever cumprido

Quase 40 anos depois, o reencontro com o hospital trouxe emoção ao médico, que destacou a transformação estrutural da unidade.

Hoje, o HGG é considerado referência e possui estrutura comparável à de hospitais privados de alto nível.

“Tive dificuldade até de reconhecer o local. É algo realmente impressionante”, afirmou.

Ele também celebrou a evolução no atendimento e o fato de muitas vítimas seguirem bem atualmente.

Legado que permanece

Durante o evento, autoridades reforçaram a importância de manter viva a memória do acidente e garantir o acompanhamento contínuo das vítimas.

A iniciativa também destacou o trabalho do Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (Cara), que atua até hoje no cuidado e na preservação da história.

“O hospital não é feito apenas de paredes, mas de histórias”, ressaltou um dos participantes.

Ana Paula Alves
Ana Paula Alves
Ana Paula Alves é jornalista e editora-chefe do Repórter Capital, com mais de 20 anos de experiência na cobertura de Brasília e do Distrito Federal. Atua principalmente em segurança pública, política local e informação de utilidade pública.

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