Cruzeiro feminino registra sete desfalques por lesão no ligamento cruzado anterior
São Paulo, 18 de junho de 2026 – A zagueira Paloma Maciel, que estava reunida com a seleção brasileira feminina em Itu, no interior paulista, retornou nesta quinta-feira a Belo Horizonte. A defensora do Cruzeiro, que desde segunda-feira integrava uma semana de treinos para a Copa do Mundo do ano que vem, que será no Brasil, rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho direito, além de lesionar o menisco, durante atividade na última quarta-feira.
A jogadora de 26 anos, que terá de passar por cirurgia, se junta a uma lista preocupante nas Cabulosas. Com a zagueira, são agora sete atletas no departamento médico devido a lesões de LCA, sendo que seis se contundiram nesta temporada: a lateral Laura Felipe, a zagueira Tainara, a meia Gaby Soares e as atacantes Millene e Ravenna, além da própria Paloma Maciel.
A defensora assumiu o lugar de Ravenna na seleção que foi para Itu. A atacante Fabiola Sandoval, por sua vez, rompeu o ligamento do joelho em julho de 2025.
Em novembro de 2023, o cirurgião Marco Demange, professor Livre-Docente do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), explicou o que é a lesão de LCA em entrevista ao programa Stadium, da TV Brasil.
“O ligamento cruzado anterior é uma estrutura que funciona como uma corda que liga o osso da coxa, o fêmur, no principal osso da perna, que é a tíbia. Ele estabiliza a rotação [do joelho]. A gente entende que o risco do giro brusco [que leva ao rompimento] se dá por três fatores principais: quando o ambiente tem uma chance maior de travar o joelho; esportes em que a energia do trauma pode ser muito grande quando o indivíduo aterriza de maneira não ideal, e quando ocorrem descontroles inesperados do movimento, que é nos esportes de impacto, como futebol”, disse o médico.
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No fim de maio, durante entrevista coletiva, a gerente de Futebol Feminino do Cruzeiro, Luiza Parreiras, reconheceu que as sequenciais lesões de LCA sofridas por jogadoras do clube não são apenas uma coincidência.
“A gente tem buscado nessas últimas semanas levantar todos os dados e informações que o Cruzeiro consegue ter, pensando em tecnologia e em toda essa estrutura. A gente precisa usufruir de tudo isso para chegar a uma conclusão do que está acontecendo. É buscar informações de GPS, controle de carga, sono, ciclo menstrual, percentual de gordura, hidratação pré e pós-jogo, o trabalho psicológico que é feito e força”, disse Luiza.
No ano passado, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou que financiaria um estudo junto à Universidade de Kingston, na Inglaterra, para entender se existe ligação entre as lesões de LCA e o ciclo menstrual. Artigos médicos mostram que a incidência desse tipo de contusão é duas a oito vezes maior em mulheres do que em homens.
Antes de Paloma, a atacante Dudinha havia rompido o ligamento cruzado do joelho direito no último dia 9 de junho, no segundo amistoso entre Brasil e Estados Unidos, realizado na Arena Castelão, em Fortaleza – as norte-americanas venceram por 1 a 0.
O Cruzeiro ocupa a sétima posição no Campeonato Brasileiro Feminino, que é transmitido pela TV Brasil.
As Cabulosas voltam a campo no dia 24 de julho, às 21h30 (horário de Brasília), contra o São Paulo, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas.
Paloma era uma das 29 jogadoras que estão reunidas em Itu até sábado (20). Apesar de o período ser apenas de treinos, o técnico Arthur Elias considerou o encontro importante, já que são apenas quatro datas-Fifa até a Copa.
“Essa convocação já estava no nosso planejamento há muito tempo, então conseguimos realizar agora com a pausa da Copa do Mundo masculina”, destacou o treinador ao site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
“Em um ano, muita coisa acontece no futebol, e claro que teremos mudanças, mas não tão radicais, de 15, 17 jogadoras diferentes de uma convocação para outra”, completou Arthur.
Fonte: Agência Brasil
