A Vigilância Sanitária do Distrito Federal, vinculada à Secretaria de Saúde (SES-DF), realizou, neste ano, mais de 8 mil vistorias em comércios, feiras, distribuidoras e eventos em busca do comércio ilegal de dispositivos eletrônicos (vapes e pods). A venda (não o uso) desses aparelhos é proibida no Brasil. Nesse contexto, as equipes da Vigilância Sanitária registraram 329 autos de infração em 2026, somente por conta da venda irregular de cigarros eletrônicos. Foram apreendidos 9,6 mil itens e 78 estabelecimentos foram interditados. Vale ressaltar que a Vigilância Sanitária tem poder de polícia e, sempre quando julgar necessário, os auditores solicitam o apoio da Polícia Militar.
“Nossa prioridade absoluta com essas ações é proteger a saúde de adolescentes e jovens”, assegura a diretora de Vigilância Sanitária da SES-DF, Márcia Olivé.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 43% dos estudantes do DF entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos. A capital federal lidera esse ranking.
“São dispositivos que não têm a fumaça nem o cheiro característico de cigarro convencional, facilitando o uso escondido dentro dos quartos e banheiros escolares”, complementa a diretora.
Há quem pense que esses aparelhos não são o mesmo que fumar um cigarro convencional. O risco à saúde, porém, pode ser ainda maior, conforme explica a pneumologista da SES-DF, Nancilene Melo.
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“Com o intuito de alcançar jovens, os cigarros eletrônicos têm formatos e sabores diferentes. Morango, laranja, manga. Quanto mais colorido, mais tem-se a falsa ideia de que a pessoa não está consumindo nenhuma substância danosa”, detalha Melo. “É exatamente o contrário. Ao usar o dispositivo, o indivíduo está consumindo nicotina sintética, que tem um poder viciante muito maior”, acrescenta.
Dados da SES-DF mostram que, em 2025, 18,9% dos homens e 16,2% das mulheres de 18 a 24 anos que participam de grupos de tratamento contra tabagismo faziam uso de cigarro eletrônico. Desses pacientes, 43,2% tiveram seu nível de dependência classificado como “elevado” e 24,3% como “muito elevado”. A dificuldade para enfrentar o vício também se revela na adesão ao tratamento: apenas 10,8% participaram da quinta sessão e 75,7% necessitaram receber medicamentos na tentativa de largar a nicotina.
No próximo domingo (31) é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco. A data, instituída pela Organização Mundial de Saúde (OMS), alerta para os riscos à saúde associados ao uso do tabaco e defende políticas eficazes para reduzir o consumo. O uso do tabaco é a causa de morte mais evitável em todo o mundo e atualmente é responsável pelo óbito de um em cada 10 adultos no planeta.
*Com informações da SES-DF
Fonte: Agência Brasília
