PCDF indicia auditor da CGU por agressão a mulher e maus-tratos a criança no DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) indiciou o auditor federal David Cosac Junior pelos crimes de lesão corporal qualificada contra mulher e maus-tratos contra criança, no contexto de violência doméstica e familiar. O caso envolve agressões registradas por câmeras de segurança em Águas Claras, no Distrito Federal, e teve repercussão tanto na esfera criminal quanto administrativa.

Segundo a PCDF, o auditor foi enquadrado no artigo 129, §13º, do Código Penal, que trata da lesão corporal praticada contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, em conjunto com o artigo 5º, inciso III, da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

Ele também foi indiciado com base no artigo 136, §3º, do Código Penal, que tipifica o crime de maus-tratos, combinado com o artigo 2º, inciso II, da Lei nº 14.344/2022, a Lei Henry Borel, que estabelece mecanismos de proteção à criança vítima de violência doméstica e familiar.

📹 Agressões foram filmadas em prédio de Águas Claras

O episódio ocorreu por volta das 19h40 do dia 7 de dezembro, em um prédio residencial de Águas Claras. Câmeras de segurança registraram um homem de 49 anos agredindo uma mulher de 40 anos e uma criança de apenas 4 anos, no estacionamento do edifício.

As imagens foram encaminhadas de forma anônima à Polícia Civil, que enviou uma equipe ao local. Segundo o boletim policial, os agentes foram recebidos pelo porteiro e pelo subsíndico, que os conduziram até o apartamento do suspeito.

Durante o contato com os policiais, David Cosac Junior afirmou que havia encerrado o relacionamento com a mulher e que, após um desentendimento, ambos entraram em vias de fato. Ainda conforme o registro, o próprio auditor ligou para a ex-namorada e repassou o telefone a uma policial. Na conversa, a vítima informou que não pretendia registrar ocorrência naquele momento.

A mulher foi orientada a apresentar a criança à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), para posterior encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML). A investigação segue sob responsabilidade da 21ª DP, que reuniu depoimentos, registros policiais e outros elementos de prova que fundamentaram o indiciamento.

Em decisão anterior, a Justiça do Distrito Federal concedeu medidas protetivas de urgência em favor da criança, proibindo o investigado de se aproximar, manter contato ou frequentar locais relacionados à vítima.

⚖️ CGU afasta auditor por 60 dias e bloqueia acesso a sistemas

Paralelamente à investigação criminal, o caso gerou providências administrativas imediatas. O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, determinou o afastamento cautelar de David Cosac Junior por 60 dias, sem prejuízo da remuneração.

A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira (26/12), conforme a Portaria nº 4.179, assinada em 24 de dezembro. O afastamento poderá ser prorrogado, caso haja necessidade, enquanto durarem as apurações internas.

Além disso, a CGU determinou:

  • proibição de ingresso do auditor em prédios do órgão;

  • bloqueio de acesso a sistemas institucionais.

Segundo a Controladoria, a medida tem como objetivo preservar o ambiente institucional e assegurar o regular andamento das investigações administrativas, sem representar juízo antecipado de culpa.

As apurações seguem em curso tanto na esfera administrativa quanto policial.

Ana Paula Alves
Ana Paula Alves
Ana Paula Alves é jornalista e editora-chefe do Repórter Capital, com mais de 20 anos de experiência na cobertura de Brasília e do Distrito Federal. Atua principalmente em segurança pública, política local e informação de utilidade pública.

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