Operação da PCDF identificou conversas sobre invasão de prédios públicos, recrutamento de integrantes e planejamento logístico; GDF antecipou criação de célula permanente de inteligência para monitorar o processo eleitoral
As investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre um grupo extremista suspeito de planejar ações criminosas em Brasília revelaram que os investigados discutiam uma mobilização para o período das eleições de 2026, com conversas sobre definição de alvos, estratégias de atuação, recrutamento de participantes e preparação logística.
Os detalhes fazem parte da Operação Rede Interrompida, deflagrada nesta terça-feira (4), pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV). Ao todo, oito pessoas, com idades entre 19 e 31 anos, foram alvo de mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Segundo a investigação, as conversas analisadas faziam referências frequentes a Brasília como destino da mobilização prevista para o período eleitoral. Entre os materiais identificados estavam discussões sobre invasão de edificações públicas, formação tática, recrutamento de integrantes em diferentes estados e análise de mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de prédios da região central da capital federal.
Os investigadores também localizaram manuais com instruções para fabricação de artefatos explosivos, além de conteúdos relacionados ao planejamento das ações.
Esplanada dos Ministérios entre os locais citados
De acordo com o secretário nacional dos Direitos Digitais, Victor Fernandes, os investigadores identificaram dois grupos públicos na plataforma Telegram nos quais eram compartilhadas informações relacionadas ao planejamento de possíveis atentados em Brasília.
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Segundo ele, as conversas faziam referência, inclusive, a endereços localizados na Esplanada dos Ministérios, área que concentra a sede dos principais órgãos do governo federal.
Fernandes destacou que o fato de os grupos serem públicos amplia a responsabilidade das plataformas digitais na remoção de conteúdos ilícitos, uma vez que o acesso era aberto a qualquer usuário.
Investigação começou após alerta do Ministério da Justiça
A apuração teve início após a Polícia Civil receber um relatório técnico elaborado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Com base nas informações, a DPCEV instaurou inquérito para identificar os integrantes da rede, mapear conexões e avaliar o grau de organização das atividades desenvolvidas em ambientes virtuais.
Os equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação passarão por perícia. O objetivo é identificar outros envolvidos, reconstruir a dinâmica do grupo e verificar se os planos discutidos chegaram a avançar para uma fase de execução.
Segurança reforçada para as eleições
Após a deflagração da operação, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, anunciou a antecipação da instalação de uma célula integrada de inteligência destinada ao monitoramento das eleições de 2026.
Segundo o secretário, a estrutura reunirá representantes de 22 órgãos federais e distritais, além do Tribunal de Justiça e do Ministério Público, permanecendo em funcionamento até a realização das eleições.
A proposta é manter monitoramento contínuo, compartilhamento de informações entre os órgãos e capacidade de resposta imediata diante de qualquer situação que possa comprometer a segurança pública ou a normalidade do processo eleitoral.
Crimes investigados
Até o momento, a investigação apura, em tese, os crimes de:
- associação criminosa;
- incitação ao crime;
- apologia de crime ou criminoso;
- infrações previstas na Lei nº 7.716/1989 (legislação antirracismo).
A Polícia Civil informou que, por enquanto, os fatos não foram enquadrados na Lei de Terrorismo. A eventual responsabilização dos investigados dependerá da análise pericial do material apreendido e da conclusão do inquérito, que segue sob sigilo.
