O Tribunal do Júri do Paranoá condenou Willian Lopes a 38 anos e oito meses de prisão pelo feminicídio da companheira, ocorrido em agosto de 2025 no Itapoã. A sentença foi proferida na quinta-feira (17), e o cumprimento da pena será iniciado imediatamente, em regime fechado.
A decisão judicial, consultada pelo Repórter Capital, mostra que os jurados reconheceram o feminicídio e também a utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima. O julgamento terminou com a condenação nos termos do artigo 121-A do Código Penal.
Crime ocorreu em agosto de 2025
Segundo o TJDFT, Willian matou a companheira em 13 de agosto de 2025, em via pública do Itapoã II. A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Após o crime, o homem foi preso.
A sentença traz detalhes que não aparecem na nota resumida do Tribunal. Durante o interrogatório no júri, o próprio réu admitiu ter desferido golpes de faca contra a vítima após uma discussão. A defesa pediu que o crime fosse desclassificado de feminicídio para homicídio e, subsidiariamente, solicitou o reconhecimento de circunstâncias atenuantes.
Os jurados, porém, reconheceram a materialidade do crime, a autoria e o feminicídio, rejeitaram a absolvição e reconheceram a circunstância de que foi utilizado recurso que dificultou a defesa da vítima.
- Reforma tributária muda emissão de notas fiscais no DF; veja novas regras
- Motorista morre após bater carro contra poste na DF-140; adolescente fica ferido
- Summit CBCP 2026: Brasília recebe estrelas do esporte paralímpico em evento nacional
- Homem destrói paradas de ônibus em Taguatinga e diz à polícia que estava “chateado com a vida”
- Mulher desaparece após ser arrastada por correnteza em cachoeira no Recanto das Emas
Vítima tentava se proteger, aponta sentença
Outro trecho relevante da decisão judicial aponta para um histórico de violência no relacionamento. Ao analisar a conduta social do condenado, o juiz registrou que havia relatos nos autos de agressões frequentes contra a companheira e familiares.
A sentença afirma ainda que a vítima costumava levar consigo as facas existentes na residência do casal quando visitava a mãe e a irmã, como forma de se proteger de ameaças e agressões atribuídas ao companheiro.
O documento também registra que a vítima era mãe e provedora dos filhos e que, segundo familiares, a situação financeira da família piorou depois da morte. Esse impacto foi considerado pelo magistrado na definição da pena.
Pena de 38 anos e oito meses
Na dosimetria, o juiz estabeleceu inicialmente pena-base de 29 anos. Na etapa seguinte, a confissão espontânea foi compensada com a agravante da reincidência.
A pena foi posteriormente aumentada em um terço porque o júri reconheceu que o crime ocorreu mediante surpresa, circunstância que dificultou a defesa da vítima. O resultado foi de 38 anos e oito meses de reclusão, inicialmente em regime fechado.
O magistrado também determinou a execução imediata da condenação pelo Tribunal do Júri. Willian, que já estava preso preventivamente, permanecerá na prisão e não recorrerá em liberdade. A determinação está fundamentada na orientação do Supremo Tribunal Federal sobre a execução imediata das condenações impostas pelo júri.
O processo é o 0705284-78.2025.8.07.0008, do Tribunal do Júri do Paranoá. O TJDFT também confirmou oficialmente a condenação e a pena aplicada.
