Unidades básicas de saúde do Distrito Federal receberam, nesta terça-feira (6), uma comitiva de mestrandos e doutorandos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O grupo participou de uma visita técnica promovida pela Secretaria de Saúde do DF como parte de um curso colaborativo sobre saúde pública.
Para a professora Márcia Castro, que leciona há 18 anos na instituição norte-americana, o modelo brasileiro é único no planeta.
“O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes a ter um sistema único de saúde sem custos para a população”, afirmou.
Ela reforça que o SUS deveria ser referência internacional e que o intercâmbio contribui tanto para capacitar alunos quanto para apoiar gestores brasileiros na solução de desafios cotidianos.
Ao todo, 30 estudantes — metade deles brasileiros — exploraram a estrutura da Região de Saúde Norte, conhecendo de perto como a Atenção Primária funciona na ponta. A iniciativa faz parte do Curso Colaborativo de Campo em Saúde Pública, realizado em parceria com o Ministério da Saúde.
APS na prática
A comitiva foi dividida em grupos e visitou três unidades:
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UBS 2 da Fercal, na zona rural
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UBS 8, no Vale do Amanhecer
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UBS 5, em Arapoanga
Guiados por equipes da Diraps Norte, os estudantes observaram serviços como acolhimento de demanda espontânea, dispensação de medicamentos, consultas médicas e atividades comunitárias.
O diretor da área, Alcir Galdino, destacou que a atenção primária é a base do sistema.
“Municípios que investem mais em APS têm melhores indicadores sociais e maior qualidade do gasto público”, avaliou.
“Surpreendente”
Para os estudantes estrangeiros, a estrutura do SUS continua chamando atenção. Swathi Srinivasan, doutoranda de Harvard, disse que ficou impressionada com a dimensão e o funcionamento do sistema:
“Saber que esse sistema funciona em um país tão grande quanto o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, é surpreendente.”
Ela reforçou que o SUS se destaca inclusive em comparação com modelos de países ricos.
“O SUS é um exemplo para o mundo. Os EUA têm recursos, mas não sabem como usá-los para fortalecer a saúde pública”, pontuou.
