DF amplia cirurgias eletivas em 35,89% e registra 36,4 mil procedimentos em sete meses

Programa Opera DF impulsiona atendimentos e reduz filas em diferentes especialidades; julho teve recorde de 6.153 cirurgias, segundo a Secretaria de Saúde

A rede pública de saúde do Distrito Federal realizou 36.442 cirurgias eletivas entre janeiro e julho de 2026, um crescimento de 35,89% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado representa mais de 9,6 mil procedimentos adicionais e marca uma ampliação da capacidade de atendimento aos pacientes que aguardam operações pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a média mensal chegou a 5.206 cirurgias. O maior volume foi registrado em julho, quando foram realizados 6.153 procedimentos, número apontado pela pasta como recorde histórico mensal.

O aumento é atribuído principalmente às ações do programa Opera DF, que combina a ampliação dos serviços da rede pública com a contratação de hospitais privados para acelerar cirurgias eletivas, consultas e exames.

Redução das filas e do tempo de espera

Além do crescimento no número de procedimentos, a Secretaria de Saúde informou reduções expressivas no tempo de espera de algumas especialidades.

Nas cirurgias de varizes bilaterais, por exemplo, o prazo informado caiu de 1.046 para seis dias. Na tireoidectomia parcial, passou de 889 para 45 dias. Já a espera pela retirada da vesícula, procedimento conhecido como colecistectomia, diminuiu de 313 para 103 dias.

A SES-DF também apresentou os seguintes resultados:

  • Tireoidectomia total: de 721 para 108 dias.
  • Ressecção de próstata: de 116 para 78 dias.
  • Vasectomia: de 172 para zero dia, conforme o indicador divulgado pela pasta.

Os números se referem aos procedimentos informados pela Secretaria e não significam que todas as filas cirúrgicas do DF tenham sido eliminadas.

A quantidade de pacientes aguardando atendimento também diminuiu em algumas especialidades. Na cirurgia de varizes bilaterais, a fila passou de 1.296 para quatro pessoas. Na tireoidectomia total, caiu de 320 para 27 pacientes.

Houve ainda redução na espera por hernioplastia inguinal, de 341 para 59 pessoas, e por hernioplastia umbilical, de 379 para 78.

Opera DF amplia atendimento na rede pública e complementar

Desde 2025, o programa Opera DF contabiliza, segundo os dados apresentados pela SES-DF, 27.371 cirurgias ambulatoriais e 30.688 procedimentos com internação de maior complexidade.

A estratégia busca aproveitar a estrutura existente na rede pública e ampliar a oferta por meio da contratação complementar de unidades privadas.

Entre as 19.333 cirurgias contratadas na rede privada, 9.251 haviam sido realizadas no balanço divulgado, o equivalente a aproximadamente 48% do total.

Algumas especialidades apresentaram índices mais elevados de execução: oftalmologia, com 67,35%; cirurgia geral, com 64,93%; e urologia, com 53,99%.

Na cirurgia de cabeça e pescoço, o percentual chegou a 48,71%, enquanto a cirurgia vascular registrou 48,33%.

Esses dados mostram o avanço dos atendimentos contratados e também a parcela de procedimentos que ainda precisa ser executada.

Ortopedia terá nova etapa de ampliação

A governadora Celina Leão (PP) anunciou a destinação de R$ 50 milhões para ampliar a realização de cirurgias ortopédicas.

Segundo a chefe do Executivo, a medida busca atender pacientes que aguardam procedimentos há períodos prolongados.

“Essa semana nós assinamos R$ 50 milhões para cirurgias ortopédicas. São pessoas que também estão em uma fila muito grande”, afirmou.

A Secretaria de Saúde informou ter estruturado um plano de expansão para viabilizar a oferta de 3.166 cirurgias ortopédicas.

Entre os procedimentos contemplados estão operações de quadril e joelho, reconstruções ligamentares e intervenções na coluna.

O anúncio dos recursos representa uma nova etapa de ampliação do atendimento. A efetiva realização das cirurgias dependerá da execução dos contratos e da disponibilidade da estrutura necessária.

Ajustes no financiamento das cirurgias

Para estimular a realização de procedimentos de maior demanda, a SES-DF adotou ajustes nos percentuais de complementação financeira sobre a tabela do SUS.

Na cardiologia, os incentivos contemplam implantes de marcapasso, trocas de geradores e desfibriladores.

Na ortopedia, as medidas alcançam cirurgias de maior complexidade. Também foram incluídas ações para ampliar atendimentos em oncologia, cirurgia geral, ginecologia, otorrinolaringologia e procedimentos videolaparoscópicos.

A Secretaria aponta essas mudanças como parte da estratégia para aumentar a produção dos centros cirúrgicos e ampliar o acesso da população aos tratamentos.

Desafio é manter o ritmo e atender quem ainda espera

O crescimento da produção cirúrgica representa um avanço importante para pacientes que dependem do SUS no Distrito Federal, especialmente nas especialidades em que as filas e os tempos de espera foram reduzidos.

A continuidade dos resultados, porém, dependerá da manutenção da capacidade de atendimento, do financiamento dos serviços e da execução dos procedimentos ainda contratados.

O acompanhamento dos indicadores também será essencial para verificar se a redução das filas alcança outras especialidades e se os tempos de espera permanecem menores nos próximos meses.

Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Redação
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