Segundo voto vira alvo na disputa pelo Senado no DF com eleitor ainda indefinido

Com duas cadeiras em disputa em 2026, Datafolha mostra baixa consolidação espontânea dos nomes e abre espaço para candidatos ampliarem votos durante a campanha

A corrida pelo Senado no Distrito Federal tem uma disputa dentro da própria disputa: conquistar o segundo voto do eleitor.

Nas eleições de 2026, os brasilienses poderão escolher dois candidatos diferentes para representar o Distrito Federal no Senado. E os primeiros números da campanha mostram que uma parcela expressiva do eleitorado ainda não consolidou suas escolhas.

Pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (21) aponta que 67% dos entrevistados não souberam citar espontaneamente um candidato ao Senado, quando nenhum nome foi apresentado.

O resultado indica um cenário de baixa definição neste início de campanha e ajuda a explicar por que a corrida pelas duas cadeiras pode sofrer mudanças até outubro.

Michelle e Leila aparecem à frente

No levantamento espontâneo, Michelle Bolsonaro (PL) foi mencionada por 8% dos entrevistados. Leila do Vôlei (PDT) aparece com 5%.

Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT) registram 4% cada. Sebastião Coelho (Novo) aparece com 1%.

Quando o Datafolha apresenta aos entrevistados os nomes dos candidatos, os percentuais aumentam.

No cenário estimulado, Michelle chega a 19% e Leila registra 16%. Erika aparece com 12%, enquanto Bia tem 11%.

Sebastião Coelho soma 3%. Ronaldo Fonseca (PSD), Tiago (Agir) e Professor Guilherme Amorim (UP) aparecem com 2% cada.

Outros candidatos registram 1%.

No cenário estimulado, 14% ainda não sabem em quem votar.

Duas escolhas mudam a lógica da campanha

A disputa pelo Senado funciona de maneira diferente da eleição para governador.

Neste ano, serão renovados dois terços das cadeiras da Casa. Por isso, o eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes, sem repetir o mesmo nome.

Essa característica faz com que candidatos que disputam campos políticos distintos possam, inclusive, receber votos de um mesmo eleitor.

Também significa que liderar uma pesquisa não necessariamente representa domínio sobre as duas escolhas disponíveis.

É justamente nesse espaço que a disputa pelo segundo voto ganha importância.

Um eleitor pode já ter definido quem receberá seu primeiro voto para senador e ainda estar disponível para escolher outro candidato. Para as campanhas, conquistar essa preferência adicional pode ser tão importante quanto ampliar a própria base eleitoral.

Conhecimento dos candidatos será desafio

A distância entre os números da pesquisa espontânea e da estimulada também fornece uma pista sobre a eleição.

Quando precisa lembrar sozinho de um candidato, o eleitor apresenta alto grau de indefinição. Quando recebe os nomes, as principais candidaturas crescem.

Esse comportamento coloca conhecimento, exposição e presença de campanha entre os fatores que poderão influenciar a corrida nas próximas semanas.

Para candidatos que aparecem abaixo do primeiro grupo, o desafio será transformar exposição eleitoral em lembrança espontânea.

Para os nomes mais conhecidos, a disputa passa também por convencer o eleitor de que eles devem ocupar uma das duas escolhas disponíveis.

Corrida ainda tem espaço para mudanças

A campanha eleitoral entrou oficialmente em andamento em agosto e ainda terá semanas de propaganda, debates, entrevistas, agendas de rua e mobilização nas regiões administrativas.

Com duas cadeiras disponíveis e elevado número de eleitores sem uma escolha espontânea consolidada, o cenário ainda oferece espaço para crescimento das candidaturas.

Mais do que acompanhar apenas quem ocupa as primeiras posições, a corrida pelo Senado no DF deverá mostrar nas próximas semanas quem consegue se transformar na segunda escolha do eleitor.

O Datafolha ouviu 910 eleitores em 28 regiões administrativas do Distrito Federal entre 18 e 21 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo e registrado na Justiça Eleitoral sob o número DF-07561/2026.

Redação
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