Entre o Natal e o luto: Brasil registra sequência de casos brutais de violência contra mulheres nos últimos dias de 2025

Do dia 25 de dezembro para cá, o noticiário escancarou uma sequência brutal de violências contra mulheres. São histórias diferentes, em cidades diferentes, mas conectadas por um mesmo padrão: homens violentos, ações brutais, relações marcadas por controle e um Estado que quase sempre chega tarde.

No dia de Natal, uma mulher conhecida como “Ruiva da Feira” foi assassinada friamente, por dois homens armados, dentro da própria casa em um episódio que chocou a comunidade do Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal.

Ainda no 25 de dezembro, em São José dos Campos (SP) outro caso igualmente estarrecedor: Um homem que estava em saída temporária do sistema prisional tentou assassinar a própria mãe, não conseguiu graças a ação da polícia que executou o homem durante a operação.

No mesmo dia, em Ribeirão Preto, uma jovem de apenas 19 anos foi espancada pelo ex-namorado na portaria do condomínio onde mora. As câmeras de segurança registraram tudo: socos, chutes, puxões de cabelo, o celular quebrado. O motivo? Ela demorou a responder mensagens no celular.

Na sexta-feira seguinte, 26 de dezembro, em São Paulo, Sueli Araújo de Souza, de 42 anos, foi executada com mais de 20 tiros em frente a uma adega no Grajaú. Dois homens em uma motocicleta. Nenhuma tentativa de roubo. Nenhuma chance de defesa. Sueli tinha medida protetiva contra um ex-companheiro e histórico de violência doméstica. A polícia investiga se o crime foi feminicídio, execução ou “queima de arquivo”.

Em Goiás, também nesse intervalo, Natali Vieira Batista, de 33 anos, foi morta a facadas pelo namorado após uma discussão por ciúmes. O homem assumiu a autoria do crime, friamente, à PMGO O relacionamento durava apenas cinco meses. Natali deixou três filhos, agora órfãos de pai e de mãe. Mais um feminicídio anunciado, previsível, evitável.

Os cenários mudam — feira, casa, condomínio, rua, adega, família —, mas o roteiro se repete: homens que não aceitam limites, fins de relacionamento ou autonomia feminina. Mulheres que tentam seguir a vida. E um sistema que reage sempre depois da agressão, depois da tentativa de homicídio, depois da morte.

O Natal, símbolo de cuidado e proteção, volta a se mostrar um período de aumento da violência doméstica e familiar. Mais convivência forçada, mais tensão, menos rede de apoio. Quando o agressor vem de dentro de casa — filho, companheiro, ex — o risco se multiplica.

Esses casos, analisados em conjunto, desmontam qualquer discurso de exceção. Eles revelam um padrão contínuo, agravado por datas simbólicas e pela sensação de impunidade. Medidas protetivas, boletins de ocorrência e pedidos de ajuda parace de nada adiantar.

Enquanto a violência contra mulheres continuar sendo tratada como rotina ou tragédia isolada o calendário seguirá avançando — Natal, Ano-Novo, Carnaval — e os nomes mudarão. Mas as histórias serão as mesmas.

A pergunta permanece, incômoda e urgente:
quantas mulheres ainda precisarão ser espancadas, quase mortas ou executadas para que o Brasil trate essa violência como emergência, e não como costume?

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