Kiko Caputo declara apoio a Celina após acordo com 12 compromissos para eventual novo governo

Ex-candidato do Novo, que recebeu mais de 72 mil votos no primeiro turno, fechou apoio após Celina assinar carta que prevê medidas em saúde, transparência, segurança, transporte e gestão pública

O ex-candidato ao Governo do Distrito Federal Kiko Caputo (Novo) anunciou nesta quarta-feira (7) apoio à governadora Celina Leão (PP) no segundo turno da disputa pelo Palácio do Buriti.

O acordo foi fechado durante reunião no escritório de Kiko e contou também com a presença de Gustavo Rocha, candidato a vice-governador na chapa de Celina. Como condição política para a aliança, a governadora assinou uma Carta de Compromisso com o Distrito Federal baseada em 12 pontos defendidos pela candidatura do Novo.

Kiko terminou o primeiro turno em quarto lugar, com 72.148 votos, equivalentes a 4,36% dos votos válidos. Celina liderou a disputa com 825.530 votos, ou 49,93%, enquanto Leandro Grass (PT) ficou em segundo, com 569.930 votos, ou 34,47%.

A candidata do PP ficou a 168 votos de alcançar a quantidade necessária para superar a metade dos votos válidos e encerrar a disputa no primeiro turno.

Apoio com compromissos programáticos

O anúncio desta quarta-feira representa a aproximação entre duas candidaturas que estiveram em campos distintos durante o primeiro turno.

Ao justificar a decisão, Kiko reconheceu que manteve críticas à condução do governo, mas afirmou existir proximidade ideológica suficiente para justificar o apoio no segundo turno. Ele também declarou que pretende continuar fazendo críticas à governadora mesmo depois da aliança.

Segundo Kiko, algumas propostas apresentadas por sua candidatura durante a campanha coincidem com iniciativas que já estavam sendo avaliadas pela equipe de Celina.

“Hoje a gente concluiu a assinatura de uma carta compromisso da governadora com os princípios que o partido Novo defende”, afirmou o ex-candidato.

Em outra manifestação, Kiko disse esperar que o Distrito Federal “volte a prosperar” e afirmou torcer para que um eventual novo governo consiga solucionar problemas enfrentados pela população.

O que Celina assinou

A carta é datada de 7 de outubro e estabelece compromissos para um eventual mandato entre 2027 e 2030.

São 12 eixos: integridade e combate à corrupção; transparência e prestação de contas; responsabilidade com o dinheiro público; gestão técnica e profissional; saúde e redução das filas; educação; segurança pública; transporte e mobilidade; emprego e desenvolvimento econômico; desenvolvimento das regiões administrativas; digitalização do Estado; e gestão voltada para resultados concretos para a população.

Na saúde, por exemplo, o documento prevê fortalecimento da atenção básica e das UBS e redução das filas para consultas, exames e cirurgias.

A carta também registra o compromisso de dar continuidade à avaliação técnica de propostas para novos hospitais em Ceilândia, Guará e São Sebastião, além do Hospital do Câncer no Setor de Áreas Isoladas Norte (SAIN). As medidas ficam condicionadas às condições orçamentárias, técnicas e legais.

Na segurança pública, o texto estabelece valorização dos profissionais, integração entre as forças, investimento em inteligência e tecnologia e prioridades como combate ao feminicídio, crimes patrimoniais, crimes digitais, tráfico e crime organizado.

Metrô, BRT e Trem Brasília-Luziânia

A mobilidade também entrou no acordo.

Celina se comprometeu a trabalhar pela revisão de custos, contratos e subsídios do transporte público e a buscar melhorias na qualidade, frequência e preço do serviço.

O documento prevê ainda estudos para expansão do metrô e do BRT, integração do transporte com o Entorno e viabilização do Trem Brasília-Luziânia.

Na economia, aparecem propostas de redução da burocracia, segurança jurídica, ampliação do acesso ao crédito e microcrédito e fortalecimento das micro e pequenas empresas.

Outro compromisso é avançar em regularização fundiária, saneamento, drenagem, habitação, mobilidade e infraestrutura nas regiões administrativas.

Novo poderá continuar participando da discussão das propostas

Um dos trechos politicamente mais relevantes está no encerramento da carta.

Celina se compromete a manter diálogo institucional com Kiko Caputo, o Partido Novo e as equipes que elaboraram o plano de governo do ex-candidato para avaliar a incorporação de propostas apresentadas no primeiro turno que sejam consideradas compatíveis com os compromissos assumidos e com o interesse público.

Isso não significa incorporação automática do programa do Novo. A própria carta condiciona os compromissos às competências constitucionais e às condições legais, técnicas, fiscais, orçamentárias e de planejamento do Distrito Federal.

Disputa pelos votos do primeiro turno

O apoio ocorre três dias depois da votação que levou Celina e Grass ao segundo turno.

Kiko havia afirmado após a apuração que a definição sobre eventual apoio passaria pelo partido. Naquele momento, ele agradeceu os 72.148 votos e disse que o movimento construído durante a campanha continuaria atuando e fiscalizando.

Celina, por sua vez, declarou depois do primeiro turno que buscaria apoios entre os candidatos que ficaram fora da disputa. Grass também anunciou que procuraria Kiko e outros adversários derrotados para conversar sobre o segundo turno.

O segundo turno para o Governo do Distrito Federal será realizado em 25 de outubro.

Redação
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