Parque Distrital das Águas fica em Brazlândia e também terá espaços para trilhas, caminhadas, ciclismo, lazer e turismo ecológico
O Distrito Federal ganhou uma nova área de proteção ambiental. A governadora Celina Leão criou oficialmente o Parque Distrital das Águas, em Brazlândia, com quase 1,7 mil hectares destinados à preservação de nascentes, áreas de recarga de aquíferos, cursos d’água e remanescentes do Cerrado.
A criação do parque consta do Decreto nº 49.364, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta quinta-feira (17). A nova unidade de conservação possui exatamente 1.697,9262 hectares, divididos em três módulos.
Um dos principais objetivos é contribuir para a proteção da água destinada ao abastecimento da população. O decreto determina a preservação de nascentes e cursos d’água formadores da Bacia do Rio Descoberto, além de áreas responsáveis pela recarga dos aquíferos.
Entre os cursos d’água mencionados estão o córrego Currais, ribeirão Pedras, córrego Cortado, córrego Zé Pires, ribeirão Bucanhão, córrego Capão da Onça, córrego do Valo e córrego Cana do Reino. O texto estabelece expressamente como objetivo salvaguardar a qualidade e a vazão das águas destinadas ao abastecimento público.
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Área protegida chega a 2,9 mil hectares com entorno do parque
Além dos quase 1,7 mil hectares do parque, o governo criou uma Zona de Amortecimento de aproximadamente 1.218 hectares ao redor da unidade.
Somadas, a área do parque e a zona de amortecimento alcançam cerca de 2.916 hectares. A função dessa faixa adicional é reduzir os impactos das atividades humanas sobre a unidade, conservar a vegetação nativa e proteger áreas importantes para infiltração da água e recarga dos aquíferos.
As regras específicas para utilização dos recursos naturais e ocupação do solo nessa zona serão estabelecidas pelo Brasília Ambiental no Plano de Manejo.
O próprio plano deverá ser elaborado com participação da comunidade, organizações da sociedade civil e proprietários de imóveis localizados no entorno.
Parque poderá receber trilhas e ciclistas
Além da conservação ambiental, o decreto prevê que o Parque Distrital das Águas possa ser utilizado pela população para atividades de lazer, recreação, esporte e cultura, desde que compatíveis com a proteção ambiental.
Também está prevista a implantação e sinalização de uma trilha ou rede de trilhas ecológicas e vias compartilhadas de baixo impacto destinadas a caminhantes e ciclistas.
A proposta é integrar esses caminhos ao Sistema Distrital de Trilhas Ecológicas e estimular atividades em contato com a natureza, promoção da saúde, esporte de baixo impacto e turismo ecológico.
Proteção ao Cerrado e aos animais
A nova unidade também terá como objetivo preservar remanescentes do Cerrado, incluindo matas de galeria, campos de murundus e veredas.
Entre os animais mencionados no decreto estão lobo-guará, tamanduá-bandeira, tatu-canastra, onça-parda e raposa-do-campo, além de espécies da flora endêmicas ou ameaçadas de extinção.
Outro objetivo será recuperar áreas degradadas por incêndios florestais, desmatamento e ocupações irregulares, com revegetação de espécies nativas e controle de espécies exóticas invasoras.
O parque também deverá funcionar como corredor ecológico entre o Parque Nacional de Brasília, a Reserva Biológica do Rio Descoberto e outros remanescentes de vegetação nativa da Bacia do Rio Descoberto.
Brasília Ambiental ficará responsável pelo parque
A administração do Parque Distrital das Águas e de sua Zona de Amortecimento ficará a cargo do Brasília Ambiental.
O instituto poderá celebrar parcerias e instrumentos de cooperação com entidades públicas ou privadas cujas atividades sejam compatíveis com os objetivos da unidade.
O decreto proíbe atividades e empreendimentos públicos ou privados incompatíveis com a conservação do parque ou que possam comprometer os atributos naturais que justificaram sua proteção.
A criação da unidade, segundo o texto publicado no DODF, foi precedida de estudos técnicos e de consulta pública realizada pelo Brasília Ambiental.
