Cerca de 2 milhões de brasileiros trabalham com aplicativos em 2025

Em 2025, aproximadamente 2 milhões de brasileiros atuaram por meio de aplicativos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maioria desses trabalhadores é autônoma, com jornadas semanais superiores às de outros empregados do setor privado, além de apresentarem uma remuneração por hora inferior.

A pesquisa revelou que 1,959 milhão de trabalhadores, representando 1,9% do total de ocupados no país, foram classificados como “plataformizados”. Desses, cerca de 1,2 milhão utilizam aplicativos de transporte de passageiros, como Uber e 99, o que equivale a 58,9% do total. Outros 376 mil atuam como entregadores para plataformas como Rappi e iFood, representando 19,2% do total de plataformizados.

O estudo também incluiu 313 mil trabalhadores em serviços gerais ou profissionais que utilizam plataformas digitais, o que corresponde a 16% do total de plataformizados. A pesquisa mostrou que a categoria de transporte, armazenagem e correios tem a maior participação de trabalhadores que utilizam aplicativos, com 75% deste setor dependente das plataformas digitais.

A Pnad sobre trabalho por plataforma ainda é considerada experimental, tendo sido realizada em anos anteriores, mas sem incluir trabalhadores que utilizam aplicativos apenas como renda complementar. Em 2025, o número de trabalhadores que dependem exclusivamente de aplicativos para sua renda principal foi de 1,8 milhão, um aumento em relação aos 1,3 milhão em 2022 e 1,7 milhão em 2024.

Entre os trabalhadores que utilizam aplicativos como ocupação principal, 84,4% são do sexo masculino e 47% têm entre 25 e 39 anos. A principal motivação para esse trabalho, especialmente entre motoristas e entregadores, é a dificuldade em encontrar outras oportunidades, seguida pela flexibilidade e melhores rendimentos em comparação a outras opções disponíveis.

Em termos de rendimento, os trabalhadores por aplicativo tiveram uma média mensal de R$ 3.147, similar aos R$ 3.148 dos não plataformizados. No entanto, a jornada semanal dos trabalhadores de aplicativos foi de 44,7 horas, maior que as 39,3 horas dos demais, resultando em um rendimento-hora médio de R$ 16,2, 12% inferior ao dos trabalhadores não plataformizados, que ganhavam R$ 18,4 por hora.

A pesquisa também destacou a informalidade entre os trabalhadores por aplicativo, com 72,1% sem registro formal e apenas 34% com cobertura previdenciária, enquanto entre os não plataformizados, esses números são de 42,7% e 63%, respectivamente.

Cerca de 86,8% dos trabalhadores por aplicativo se declararam autônomos. No entanto, muitos deles demonstram dependência das plataformas, com 80,2% dos motoristas afirmando que os valores pagos por tarefa dependem totalmente das plataformas digitais, assim como 78,3% dos entregadores. Um analista do IBGE ressaltou que esses trabalhadores possuem uma situação distinta dos autônomos tradicionais, devido à dependência em diversos aspectos em relação às plataformas.

A divulgação dos dados ocorre em um contexto de debate sobre a “uberização” do trabalho, com o Supremo Tribunal Federal (STF) adiando o julgamento sobre o reconhecimento do vínculo empregatício entre motoristas e plataformas digitais, uma questão que gera controvérsia entre trabalhadores e empresas do setor.

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