O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Universidade de Brasília (UnB) formalizaram, nesta segunda-feira (28), um acordo para desenvolver pesquisas e soluções tecnológicas voltadas ao combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e à recuperação de ativos obtidos de forma ilícita.
A parceria foi firmada por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) entre a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus) e a UnB. O projeto terá duração de cinco meses e investimento superior a R$ 1,2 milhão.
Os estudos serão conduzidos pelo Departamento de Engenharia Elétrica da universidade, por meio do Laboratório de Tecnologias da Tomada de Decisão (Latitude), com acompanhamento do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), vinculado ao Ministério da Justiça.
Projeto vai apoiar investigações financeiras
O objetivo da parceria é produzir conhecimento técnico e desenvolver tecnologias que fortaleçam as atividades do Laboratório Estratégico contra o Crime (LabCrim), iniciativa do Ministério da Justiça voltada ao enfrentamento das organizações criminosas.
Entre as frentes de pesquisa estão ferramentas para análise de grandes volumes de informações, proteção de dados sigilosos e apoio à identificação de bens e recursos financeiros ligados a atividades criminosas.
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Segundo a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, a iniciativa aproxima a produção científica das necessidades do poder público.
“O objetivo é aplicar soluções tecnológicas inovadoras para ampliar a capacidade de asfixia financeira de organizações criminosas”, afirmou.
Inteligência artificial será aplicada em quatro áreas
O plano de trabalho está dividido em quatro eixos principais.
O primeiro prevê pesquisas sobre anonimização e tokenização de dados para permitir o compartilhamento seguro de informações entre órgãos públicos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Outro eixo envolve o uso de inteligência artificial para analisar grandes volumes de documentos, como contratos, processos judiciais e informações financeiras. As tecnologias deverão auxiliar na identificação automática de pessoas e empresas, classificação e resumo de documentos, além da detecção de padrões relacionados à movimentação patrimonial.
A pesquisa também estudará modelos computacionais capazes de representar esquemas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e atuação de organizações criminosas por meio de ontologias e grafos de conhecimento.
O quarto eixo prevê a automação de etapas dos processos de recuperação de ativos, buscando tornar mais eficiente a organização e o tratamento de informações jurídicas.
Projeto prevê testes e transferência de conhecimento
Além dos estudos, a parceria prevê a implantação de projetos-piloto, elaboração de manuais técnicos, produção de relatórios e desenvolvimento de modelos tecnológicos que poderão subsidiar futuras aplicações institucionais.
A equipe do Laboratório Estratégico contra o Crime acompanhará todas as etapas da pesquisa, desde a definição dos requisitos até a validação das soluções desenvolvidas.
Ao final do projeto, os resultados deverão ser documentados para permitir o compartilhamento do conhecimento entre os órgãos participantes e apoiar novas iniciativas de combate ao crime organizado.
