Senado aprova crime de “vicaricídio” com pena de até 40 anos; entenda o que muda

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (25) a criação do crime específico de vicaricídio — quando o agressor mata filhos, familiares ou pessoas próximas com o objetivo de atingir emocionalmente uma mulher.

A proposta agora segue para sanção presidencial.

O que é o crime de vicaricídio

O vicaricídio ocorre quando o autor utiliza terceiros, principalmente filhos ou pessoas próximas, como forma de causar sofrimento psicológico à mulher.

A relatora do projeto, Margareth Buzetti, explicou que a medida corrige uma lacuna na legislação:

“Essa prática passa a ser reconhecida de forma clara no sistema jurídico, fortalecendo a prevenção e a punição.”

Penas mais duras e crime hediondo

Com a nova regra, o vicaricídio será classificado como crime hediondo, com pena de:

  • 20 a 40 anos de reclusão
  • aplicação de multa

A pena pode ser aumentada em até um terço em situações como:

  • crime cometido na presença da mulher
  • vítimas crianças, idosos ou pessoas com deficiência
  • descumprimento de medida protetiva

Mudanças na legislação

O projeto altera três normas importantes:

  • Lei Maria da Penha
  • Código Penal
  • Lei dos Crimes Hediondos

A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e agora aguarda sanção para entrar em vigor.

Caso recente reforçou debate

A tipificação do crime ganhou força após um caso recente em Goiás, no qual um homem matou os próprios filhos para atingir a mãe das crianças.

O episódio reacendeu discussões sobre a necessidade de leis mais específicas para esse tipo de violência.

Avanço no combate à violência contra a mulher

Especialistas apontam que a criação do crime de vicaricídio pode melhorar a identificação de riscos e fortalecer a atuação do Estado na prevenção de casos graves.

A medida também amplia a proteção às vítimas indiretas e reforça o combate à violência de gênero no país.

Ana Paula Alves
Ana Paula Alves
Ana Paula Alves é jornalista e editora-chefe do Repórter Capital, com mais de 20 anos de experiência na cobertura de Brasília e do Distrito Federal. Atua principalmente em segurança pública, política local e informação de utilidade pública.

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