Um em cada quatro estudantes adolescentes do Brasil já sofreu algum tipo de violência sexual, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O levantamento ouviu mais de 118 mil jovens de 13 a 17 anos, de escolas públicas e privadas de todo o país, e revela um cenário preocupante: o número de meninas que relataram violência sexual aumentou 5,9 pontos percentuais em relação à última edição da pesquisa, realizada em 2019.
Entre os casos mais graves, 11,7% das estudantes afirmaram ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais. Ao todo, isso representa mais de 1,1 milhão de vítimas. Já os episódios de assédio, como toques, beijos forçados ou exposição sem consentimento, atingem mais de 2,2 milhões de adolescentes.
Os dados mostram que a violência é mais frequente entre meninas, mas também atinge meninos. Em muitos casos, os agressores fazem parte do convívio das vítimas. Entre os estudantes que relataram relação sexual forçada, 8,9% apontaram pais ou padrastos como autores, 26,6% outros familiares, 22,6% parceiros ou ex-parceiros e 16,2% amigos.
Outro dado alarmante é a idade das vítimas. A maioria dos adolescentes que sofreu violência sexual mais grave tinha até 13 anos quando o crime ocorreu.
A pesquisa também aponta maior incidência em escolas públicas, onde 9,3% dos estudantes relataram já ter sido forçados a relações sexuais, contra 5,7% na rede privada.
Gravidez precoce e baixa proteção preocupam
O levantamento identificou ainda que cerca de 121 mil adolescentes entre 13 e 17 anos já engravidaram, o que representa 7,3% das que iniciaram a vida sexual. A grande maioria dos casos (98,7%) ocorre entre estudantes da rede pública.
Além disso, o uso de preservativos vem diminuindo: apenas 61,7% dos jovens utilizaram camisinha na primeira relação sexual, índice que cai para 57,2% nas relações mais recentes.
Outro ponto de alerta é o uso da pílula do dia seguinte: quatro em cada dez adolescentes já recorreram ao método ao menos uma vez.
Início da vida sexual e riscos
Apesar de os dados indicarem que o início da vida sexual está acontecendo mais tarde — com queda em relação a 2019 —, ainda preocupa o fato de que 36,8% dos jovens tiveram a primeira relação com 13 anos ou menos.
No Brasil, a idade mínima para consentimento legal é de 14 anos, o que pode caracterizar crime em diversos casos.
