Um levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal revela a dimensão da violência doméstica na capital do país. Ao longo de 2025, foram presos 5.588 agressores por crimes desse tipo no Distrito Federal — o equivalente a uma prisão a cada uma hora e meia.
O estudo foi elaborado pela Subsecretaria de Gestão da Informação (SGI) da SSP-DF e analisou 23.066 ocorrências de agressões contra mulheres registradas no período, além de traçar o perfil das vítimas e dos autores, identificar horários com maior incidência e verificar índices de reincidência.
Para a vice-governadora Celina Leão, compreender o padrão desses crimes é essencial para aperfeiçoar as políticas de proteção.
Segundo ela, o estudo permite identificar padrões e direcionar ações mais eficazes de prevenção, além de reforçar que a denúncia é fundamental para que as forças de segurança possam investigar e prender os agressores.
O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher é tratado como prioridade estratégica. De acordo com ele, as ações da pasta são baseadas em dados e evidências para ampliar a proteção às vítimas e responsabilizar os autores.
Já a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, destaca que o combate à violência exige atuação conjunta entre diferentes órgãos do governo e uma rede de acolhimento estruturada.
Finais de semana concentram mais casos
A análise mostra que os finais de semana concentram 36% das ocorrências, com maior incidência no período da noite.
Entre os dias da semana, o domingo lidera os registros, concentrando 19% dos casos de violência doméstica.
Outro dado que chama atenção é o local onde a violência acontece. Quase sete em cada dez ocorrências (69,4%) foram registradas dentro das próprias residências, reforçando o caráter doméstico e muitas vezes silencioso desse tipo de crime.
Entre os tipos de violência identificados:
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Violência psicológica: presente em 77% das ocorrências
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Violência física: registrada em 29,3% dos casos
Mulheres jovens são maioria entre as vítimas
O levantamento aponta que a violência doméstica atinge mulheres de diferentes idades, mas as vítimas mais frequentes são jovens.
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18 a 29 anos: 32,3% das vítimas
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30 a 39 anos: 30,9% dos registros
No total, foram identificados 20.160 autores distintos nas ocorrências analisadas.
A maioria absoluta dos crimes foi cometida por homens:
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89,5% dos casos (18.036) tiveram agressores do sexo masculino
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10,5% (2.124) foram atribuídos a agressoras
O estudo também identificou reincidência em parte dos casos. Entre as 20.572 vítimas mulheres, 2.628 registraram duas ou mais ocorrências no mesmo ano, o que representa 12,8% do total.
Denúncia ajuda a interromper ciclos de violência
As autoridades reforçam que denunciar é essencial para interromper ciclos de violência e proteger as vítimas.
No Distrito Federal, as ocorrências podem ser registradas em delegacias, nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) ou pela plataforma Maria da Penha Online, que permite inclusive solicitar medidas protetivas de urgência.
As denúncias também podem ser feitas à Polícia Civil do Distrito Federal pelo telefone 197, por e-mail ou por WhatsApp. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar do Distrito Federal pelo 190.
Programas de proteção no DF
O relatório também aponta crescimento de 17,3% nos casos de descumprimento de medidas protetivas, o que reforça a importância de programas tecnológicos de proteção.
Entre eles estão:
Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP)
Nesse sistema, a vítima recebe um dispositivo de alerta e o agressor passa a usar tornozeleira eletrônica. Caso o agressor viole a área de exclusão determinada pela Justiça, um alerta é emitido automaticamente para as forças de segurança.
Atualmente, 627 pessoas são monitoradas, sendo 553 vítimas e 74 agressores.
Programa Viva Flor
O programa permite que a mulher acione rapidamente a rede de proteção em caso de ameaça ou risco. Hoje, 1.734 mulheres são atendidas no DF.
Desde agosto de 2025, o Viva Flor também passou a funcionar em delegacias circunscricionais, ampliando o atendimento em regiões como Paranoá, Planaltina, Gama, Santa Maria e Brazlândia.
Rede de proteção às mulheres
O enfrentamento à violência no DF também envolve uma rede integrada de atendimento às vítimas, coordenada pelo Governo do Distrito Federal.
Entre os serviços disponíveis estão:
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Casa da Mulher Brasileira
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Espaços Acolher
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Centros Especializados de Atendimento à Mulher
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Comitês regionais de proteção
A rede inclui ainda programas de apoio social, como o Aluguel Social para mulheres em situação de violência e o Acolher Eles e Elas, que oferece assistência financeira a órfãos de feminicídio.
