O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugeriu nesta terça-feira, 10 de outubro de 2023, em São Paulo, uma nova "arquitetura" para as despesas sociais do Brasil. A proposta, ainda em fase de estudo técnico e não oficial do governo, visa modernizar e tornar mais eficaz e sustentável os programas de assistência, com a possibilidade de fusão de benefícios.
Durante sua participação na CEO Conference Brasil 2026, promovida pelo BTG Pactual, Haddad destacou que a atual conjuntura econômica do país permite uma abordagem mais criativa para o setor. Ele comparou a ideia à criação do Bolsa Família em 2003, que unificou diversos programas sociais e se tornou referência internacional.
Modernização e eficácia dos programas
A intenção, segundo o ministro, não é reduzir os gastos sociais, mas sim otimizar a aplicação dos recursos. A discussão sobre a renda básica universal, por exemplo, caminha nessa direção de reformulação. Haddad ressaltou que técnicos, inclusive fora do governo, já analisam essa oportunidade de repensar a política social brasileira de forma mais contemporânea.
Banco Central e caso Master
Haddad também abordou a importância de uma relação cuidadosa com o Banco Central, que, segundo ele, pode tanto contribuir quanto prejudicar os governos e o país. Ele esclareceu que suas críticas à manutenção dos juros altos são uma reflexão econômica e não um ataque à reputação do presidente do BC, Gabriel Galípolo.
O ministro elogiou a atuação de Galípolo no caso Banco Master, destacando que o crescimento exponencial da instituição foi interrompido após sua posse. A investigação revelou uma fraude de R$ 12 bilhões, e Haddad reiterou a necessidade de apurar responsabilidades pela gestão fraudulenta.
Reforma Tributária como legado
Sobre a reforma tributária, Haddad expressou grande otimismo, afirmando que ela posicionará o Brasil entre os melhores sistemas tributários do mundo. Ele considerou a aprovação da reforma o principal legado de sua gestão na Fazenda.
O ministro lembrou que o Brasil possui atualmente um dos piores sistemas tributários globais, conforme avaliação do Banco Mundial, ocupando a 184ª posição entre 190 países. Com a digitalização e transparência introduzidas pela reforma, Haddad prevê uma grande mudança, com a compreensão de sua profundidade esperada a partir de 1º de janeiro do próximo ano.
Imagem sugerida: Ministro Fernando Haddad discursando em um evento corporativo em São Paulo.
