O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu publicamente o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil, afirmando que o modelo atual adoece trabalhadores, reduz a produtividade e cria ambientes de trabalho hostis. A declaração foi feita em entrevista ao programa A Voz do Brasil, nesta terça-feira (23).
Segundo o ministro, a manutenção da jornada de seis dias de trabalho para apenas um de descanso contribui diretamente para quadros de depressão, doenças mentais, acidentes, absenteísmo e queda na qualidade do trabalho. Para Marinho, encerrar esse modelo não deve ser visto como prejuízo ao empregador, mas como uma oportunidade de ganho coletivo.
“Acabar com o 6 por 1 é fundamental para criar um ambiente mais saudável de emprego. O trabalhador não pode viver sob pressão permanente. Isso gera doença, baixa produtividade e prejuízo para todos”, afirmou.
Durante a entrevista, o ministro destacou ainda que há uma rejeição crescente, especialmente entre os jovens, à escala 6×1, o que tem impactado a relação entre empresas e mercado de trabalho. Ele defendeu que o Congresso Nacional avance no debate com serenidade, ouvindo trabalhadores e empregadores, para viabilizar a redução da jornada sem redução salarial.
Marinho também associou a proposta a um cenário mais amplo de valorização do trabalho, citando o reajuste do salário mínimo previsto para 2026 e as mudanças no Imposto de Renda como medidas que fortalecem a renda, o consumo e a economia.
A declaração reacende um dos debates mais sensíveis das relações trabalhistas no país e coloca novamente no centro da agenda a revisão do modelo de jornada adotado há décadas no Brasil.
Entenda o debate sobre o fim da escala 6×1
O Congresso Nacional discute uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para mudar a jornada de trabalho no Brasil. O texto, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe substituir a escala 6×1 por modelos mais equilibrados, como a 4×3 ou a 5×2, garantindo mais dias de descanso sem redução salarial.
A proposta é defendida por sindicatos e parlamentares da esquerda, que apontam ganhos em qualidade de vida e produtividade. Já na Câmara, uma subcomissão analisa uma alternativa mais moderada: reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo a escala 6×1.
Como se trata de uma mudança na Constituição, o tema ainda precisa passar por comissões e votações na Câmara e no Senado. A expectativa é que o debate avance em 2026, mas ainda não há data para aprovação.
